A definição do segundo turno da disputa pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) corroborou a tendência apontada pelas pesquisas de intenção de voto e sacramentou um novo embate entre o prefeito Bruno Siqueira (PMDB), que tenta a reeleição, e a deputada federal Margarida Salomão (PT) na disputa pelo comando do Poder Executivo juiz-forano. O embate final é o mesmo registrado há quatro anos, quando Bruno garantiu o mandato. Se os “players” são repetidos, o tabuleiro do jogo é bastante distinto, com os dois candidatos levando para o segundo turno ranços que inexistiam em 2012. Assim, além do desafio de convencer o eleitorado sobre suas propostas, os dois candidatos também terão que trabalhar para minimizar rejeições surgidas ao longo dos últimos anos. Para conseguir os votos almejados, contudo, os dois concorrentes sinalizam uma campanha propositiva acerca de temas sensíveis à cidade.
Após ocupar a PJF em um período de grande questionamento à classe política e anseios populares por mudanças, Bruno se viu na berlinda diante de constantes ponderações à sua gestão, iniciando a corrida eleitoral com uma rejeição de 48% do eleitorado de acordo com pesquisa do Ibope de 25 de agosto. Com o desenrolar de uma campanha focada em fixar as realizações da atual administração no inconsciente e consciente do eleitorado, o prefeito viu seu índice de rejeição cair consideravelmente em 16 de setembro, chegando a 27% em pesquisa divulgada 16 de setembro. Apesar de a redução, gargalos de sua gestão como a conturbada relação com os servidores do magistério são vistos por opositores como “teto de vidro” do peemedebista.
Desta forma, adversários derrotados como os candidatos Lafayette Andrada (PSD), Noraldino Júnior (PSC) e Wilson da Rezato (PSB) insistiram nessa tecla ao longo das últimas semana, o que, de certa forma, ajuda a reforçar a resistência de parte do eleitorado acerca do projeto peemedebista de mais quatro anos de Governo. Obstáculo que o prefeito tenta superar sob o discurso da responsabilidade fiscal e, segundo ele, com a apresentação de novas propostas para o próximo quadriênio.
Momento político
Se a experiência de Bruno nos últimos quatro anos trouxe alguns desgastes para o peemedebista, a relação de Margarida Salomão com seu eleitorado foi mais tranquila. De 2012 para cá, a petista exerce função na Câmara dos Deputados, em cargo que, via de regra, traz mesmo exposição que cargos Executivo. Por outro lado, Margarida viu algo que era vantagem há quatro anos se transformar em foco de rejeição e elemento que pode ser um complicador em seu objetivo de chegar à PJF após ficar duas vezes pelo segundo turno: na disputa de 2008, quando perdeu para o ex-prefeito Custódio Mattos (PSDB) e, em 2012, quando foi derrotada para Bruno.
Há quatro anos, o PT ainda surfava nas ondas da boa aprovação de Dilma Rousseff (PT). No final de setembro de 2012, por exemplo, a ex-presidente batia recordes de popularidade e seu governo contava com a validação de 62% dos entrevistados. Quatro anos depois, Dilma sofreu um processo de impeachment e um sentimento anti-petista ganhou força em segmentos na cidade. Tanto que, no último domingo, o partido elegeu apenas 255 prefeitos, número bem abaixo dos atuais 659 municípios sobre o comando da sigla.
Além dos questionamentos ao PT, Margarida viu recentemente o partido de seu adversário na disputa pela Prefeitura ser alçado ao comando da Presidência da República, algo que vem sendo utilizado por Bruno como força política na barganha por recursos para Juiz de Fora. Para superar tais adversidades, contudo, Margarida projeta fazer um amplo debate sobre a cidade e discutir os problemas e as necessidades abordadas pela campanha do atual prefeito. Para isso, a petista terá agora igualdade de condições, visto que cada candidatura terá o mesmo tempo na propaganda gratuita de rádio e TV.
Números
O cenário entre um embate e outro também é bastante distinto quando se olha os números do primeiro turno. Além de superar possíveis resistências ao momento histórico de seu partido, Margarida também terá que tirar uma diferença de votos significativa para chegar à Prefeitura. Em 2012, Bruno também fechou o turno inicial à frente, com 115.267 votos contra os 106.487 votos da petista. Este ano, a diferença entre os dois é bem maior, com o peemedebista fechando a primeira etapa da contenda com quase 45 mil votos de vantagem.
