
Aécio quer aproximação com o PMDB e Tancredo incorporou seu PP ao PMDB
Em seu discurso de estreia no Senado em abril deste ano, Aécio Neves (PSDB) fez um chamamento à oposição em busca de unidade, ponderando para o risco de permanecerem colecionando sonhos irrealizados. Unir a oposição, desde então, passou a ser uma espécie de cruzada para o tucano, que é apontado como um dos pré-candidatos à Presidência da República. "Convoca-nos, neste momento, a responsabilidade para fazer o que precisa ser feito. Ou o faremos ou continuaremos colecionando sonhos irrealizados. Não temos esse direito. Precisamos estar, todos, à altura dos sonhos de cada um dos brasileiros". O propósito e o discurso do senador são os mesmo do seu avô Tancredo Neves em setembro de 1981, em entrevista publicada na primeira edição da Tribuna. Senador e presidente nacional do PP, Tancredo, à época, também buscava aproximar os oposicionistas. Seu propósito era eleger o maior número possível de governadores nas eleições de 1982 em afronta ao regime militar. "Se ela (unidade) não se concretizar estarão as forças de oposição contribuindo para a manutenção da intolerável situação vigente, e o povo não as perdoará em seu julgamento, porque sentir-se-á frustrado."
Tancredo não só uniu a oposição, como acabou incorporando seu PP ao PMDB e, dessa forma, acabou eleito governador de Minas, vencendo o candidato governista Eliseu Resende. Três anos depois, pelo voto indireto, foi eleito presidente do Brasil, embora tenha morrido antes de tomar posse. Aécio também quer uma aproximação com o PMDB. Como o PSDB já se encontra no Palácio da Liberdade, sua estratégia de fortalecimento para chegar ao Planalto passa pelas eleições municipais de 2012. A proposta é eleger o maior número de correligionários ou aliados em cidades consideradas de perfil estratégico, como Juiz de Fora. A articulação começou por Minas. O presidente estadual do PSDB, deputado Marcus Pestana, ficou responsável pelo fortalecimento da legenda em todo estado. Atualmente, com menos prefeituras do que PMDB e PT, os tucanos querem levar para a esfera municipal a hegemonia que possuem no Governo e nas bancadas parlamentares na Assembleia e na Câmara. A tarefa não será das mais fáceis, mas, segundo Pestana, há diretórios e comissões provisórias sendo constituídos em cerca de 800 dos 853 municípios mineiros.
Na entrevista à Tribuna, em setembro de 1981, Tancredo falou também do aspecto simbólico de Juiz de Fora. Para ele, naquela ocasião, havia chegado o momento de a Zona da Mata lançar uma candidatura ao Governo de Minas. A declaração, que soou como uma afago ao senador Itamar Franco, foi recebida pela classe política local como apreço político. Aécio, da mesma forma, buscou sempre caminhar com Itamar, assim como comunga da simbologia política juiz-forana. Nesse sentido, a manutenção da Prefeitura de Juiz de Fora sob o comando do PSDB tornou-se uma de suas prioridades para as eleições do próximo ano. Além dos aspecto histórico e do fato de se tratar da única grande cidade mineira administrada por um tucano, o prefeito Custódio Mattos, o PSDB trabalha com a hipótese de ter como principal concorrente o PT, da ex-reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora, Margarida Salomão. Dessa forma, o embate local, como aconteceu no segundo turno de 2008, pode refletir a disputa nacional entre PT e PSDB. Entre os petistas, a avaliação e a importância em relação à sucessão municipal também são as mesmas, o que deve trazer para o páreo figurões da cúpula nacional do partido.
PMDB
A primeira edição da Tribuna, de 1º de setembro de 1981, também trouxe uma matéria menor tratando de uma reunião da bancada de vereadores do PMDB com vistas nas eleições municipais de 1982. Os sete vereadores peemedebistas articulavam unidade para conseguirem emplacar um nome para a Presidência da Câmara e interferirem na indicação do candidato à Prefeitura. Um ano depois, Tarcísio Delgado (PMDB) foi eleito prefeito. Hoje, com a metade da bancada daquela ocasião, o PMDB também quer união interna para ter nome próprio na disputa pelo Executivo. O nome da vez é do deputado Bruno Siqueira (PMDB). Ele tem apoio dos vereadores, mas ainda não é uma unanimidade na legenda. A hipótese de uma aliança ainda no primeiro turno com o PT encanta uma ala do partido. Recentemente, ganhou força até mesmo um possível retorno de Tarcísio ao páreo. Há ainda a alternativa aventada por alguns peemedebistas no sentido de apoiar a candidatura do deputado Júlio Delgado (PSB), que é filho de Tarcísio. Como no início da década de 80, as definições, no PMDB, até hoje ainda ficam para a última hora.

