Médicos, estudantes de medicina e residentes protestaram nas ruas do Centro, ontem pela manhã, contra a contratação de médicos estrangeiros, conforme anunciado na última semana pela presidente Dilma Rousseff (PT). A manifestação local contou com cerca de 40 participantes, segundo a Polícia Militar. Liderado por entidades, como a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Federação Nacional dos Médicos (Fenam), o movimento aconteceu em várias cidades do país, e, em muitas delas, houve suspensão de consultas previamente marcadas na rede pública.
Segundo os manifestantes, os estrangeiros estariam vindo ao Brasil sem a exigência da realização do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida). O teste é realizado pelos ministérios da Saúde e Educação e avalia a capacidade médica e a proficiência na língua portuguesa dos interessados em exercer a medicina no Brasil. Esses médicos virão sem fazer o Revalida e, após três semanas de treinamento, já estariam aptos a exercer a medicina. Será que o paciente conseguirá entender o que o médico irá receitar?, questiona o presidente do Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora, Gilson Salomão, que participou do protesto. Gilson destacou ainda problemas como a falta de infraestrutura, de um plano de carreira para a classe médica e de gestão em saúde.
Com cartazes, apitos e gritos de ordem, o grupo saiu do prédio da Sociedade de Medicina, na Rua Braz Bernardino, e seguiu em passeata até o PAM-Marechal. Próximo ao meio-dia, passou pela Avenida Rio Branco com destino ao Calçadão da Halfeld. Em seguida, os manifestantes caminharam pela Rua Batista de Oliveira e retornaram à associação.
De acordo com a assessoria da Secretária de Saúde, dos 171 médicos vinculados às unidades de atenção primária a saúde (Uaps), 65 cruzaram os braços. Ainda de acordo com a pasta, mais da metade das Uaps funcionaram normalmente. Só em uma unidade, houve apenas o atendimento de urgência e emergência. Nas outras, a paralisação foi parcial.
No país
São Paulo (AE) – O movimento dos médicos no país teve a participação de milhares de profissionais, que protestaram em cidades como Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Rio e Brasília. O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto D’Ávila, classificou como positivas as manifestações. A população viu algo raro, médicos nas ruas. Pedimos por várias coisas: melhoria na condição de trabalho, mais investimentos, disse. Foi uma ação vitoriosa. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, não se manifestou.
