No rastro do pré-candidatura petista ao Governo de Minas, encampada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, a direção estadual do PSDB iniciou ontem a formação de um bloco multipartidário para viajar pelo interior mineiro divulgando os dez anos dos tucanos à frente do Palácio Tiradentes. A proposta é fazer frente ao processo de interiorização deflagrado pelo PT ainda no início do ano, com a presença do pré-candidato da legenda em municípios considerados estratégicos, como Juiz de Fora, Uberlândia Montes Claros. É um contraponto às movimentações do PT, mas a reunião (dos partidos) foi uma sinalização inequívoca de unidade deste grupo, avaliou o presidente do PSDB de Minas, deputado federal Marcus Pestana.
As estratégias ainda serão detalhadas em um próximo encontro previsto para o próximo dia 17 de junho. As primeiras investidas do grupo, segundo Pestana, acontecerão apenas no início do segundo semestre. Já a definição do nome do candidato governista ficará para novembro. O senador Aécio Neves (PSDB) concorda que não temos tempo e não podemos esperar pelas convenções (marcadas para junho de 2014). Por outro lado, não temos necessidade de resolver tão rápido e, por isso, vamos aguardar até novembro, após o término do período para novas filiações. Com a possibilidade de a base aliada ter uma candidatura ainda este ano, a definição sobre o futuro do governador Antonio Anastasia (PSDB), se vai se desincompatibilizar ou não para concorrer ao Senado, será antecipada para abril do próximo ano.
Pelo fato de o Palácio Tiradentes não ter uma candidatura natural, o movimento multipartidário também é visto como forma de minimizar as disputas internas nos partidos aliados. Hoje, além de Pestana e do vice-governador Alberto Pinto Coelho (PP), aparecem no páreo o presidente da Assembleia Legislativa, Dinis Pinheiro (PSDB), o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Narcio Rodrigues (PSDB). Além deles, participaram da reunião como representantes do PTB, o deputado estadual Dilzon Melo, do PR, o deputado federal Aelton Freitas, e do PPS, a deputada estadual Luzia Ferreira. Também estavam presentes os deputados estaduais Sargento Rodrigues (PDT), Gustavo Correa (DEM) e os deputados federais Lincoln Portela (PR) e Rodrigo de Castro (PSDB).
PSB e PMDB terão atenção especial
Além do apoio declarado dos partidos presentes na reunião realizada ontem, o grupo governista mineiro espera contar com a adesão de setores de PSB e PMDB, mais precisamente, com os prefeitos Márcio Lacerda (PSB), de Belo Horizonte, e Bruno Siqueira (PMDB), de Juiz de Fora. Como os dois partidos têm caminhos pré-definidos no cenário nacional, Marcus Pestana não convidou seus dirigentes para o encontro. Seria uma descortesia convidá-los para integrar o movimento sendo que eles têm dinâmicas próprias. Ainda assim, o dirigente tucano afirmou que, no momento certo, vai insistir no diálogo. O PSB tem uma série de circunstâncias específicas. Pretendemos ter uma conversa com o prefeito Marcio Lacerda no momento próprio. No PMDB, tem uma grande ala que tem posição favorável ao projeto do Aécio e do Anastasia.
Lacerda foi eleito em 2008 com apoio do então governador Aécio Neves em parceria com o ex-prefeito da capital e atual ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, possível candidato petista na sucessão estadual. No ano passado, o socialista rompeu com o PT e derrotou os ex-aliados em campanha coordenada pelo senador tucano. Bruno, por sua vez, foi eleito prefeito com o apoio das direções nacional e estadual do PMDB, ambas favorável à manutenção da aliança para a reeleição da presidente Dilma Rousseff. No segundo turno das eleições municipais, o peemedebista também contou com a adesão de Aécio e Anastasia, abrindo espaço para os tucanos na formação da sua equipe de Governo.
