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Depoimento de Lula divide bancada juiz-forana

Margarida Salomão e Wadson Ribeiro saíram em defesa do ex-presidente, enquanto que Pestana e Júlio Delgado criticaram o PT
Margarida Salomão e Wadson Ribeiro saíram em defesa do ex-presidente, enquanto que Pestana e Júlio Delgado criticaram o PT
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Os desdobramentos da Operação Aletheia, a 24ª fase da Operação Lava Jato, que culminou na condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para prestar depoimento à Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (4), reforçaram as diferenças ideológicas da bancada juiz-forana no Congresso Nacional. A cisão é visível e igualitária. Dos quatro ocupantes de cadeiras na Câmara dos Deputados eleitos pela cidade, os deputados federais Wadson Ribeiro (PCdoB) e Margarida Salomão (PT) redobraram os discursos em defesa do ex-presidente e classificaram a ofensiva orquestrada pela força policial e pelo Judiciário como “arbitrária”, “golpista” e “espetáculo midiático e político”. Por outro lado, Júlio Delgado (PSB) e Marcus Pestana (PSDB) não pouparam o Governo federal e o PT e reforçaram o coro pela saída da presidente Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República.

[Relaciondas_post] Os posicionamentos mais incisivos foram dos parlamentares alinhados com o ex-presidente. Já pela manhã, Margarida Salomão declarou nas redes sociais sua indignação e entristecimento com o desenrolar dos fatos. “A condução coercitiva é praticada quando alguém é intimado e se recusa a se apresentar aos juízes. O presidente Lula não foi intimado e nem se recusou a ir. Esse ato é um abuso de poder”, afirmou a petista, que considera que condução coercitiva como uma ameaça ao Estado de Direito e aos preceitos legais. “Não havia razão, a não ser por uma conspiração midiática e jurídica”, reforçou, antes de comparar a ação com as violações de um estado de exceção. “Vi muito isso na minha juventude, durante a ditadura. Colegas meus eram conduzidos sem razão pelas autoridades militares para serem interrogados.”

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Em São Paulo, para um compromisso partidário, Wadson Ribeiro esteve outros parlamentares no Aeroporto de Congonhas para prestar solidariedade e apoio à Lula durante o depoimento à Polícia Federal, o que classificou como uma “grande arbitrariedade”. “Ele estava tranquilo, contou o juiz-forano, que esteve pessoalmente como o ex-presidente. Assim como a maioria dos partidários de Lula, o deputado condenou a condução coercitiva do ex-presidente. “Nunca se negou a prestar depoimentos. Abre-se um pressuposto muito ruim para a democracia.” A despeito da ponderação, Wadson reforçou que o PCdoB defende a apuração de casos de ilicitudes. “Desde que seja feita com o devido processo legal. Quem tiver culpa, tem que pagar. Mas esse espetáculo midiático e político é outra coisa.”

 

Oposição

Entre as lideranças locais que atuam na oposição ao Governo federal e ao PT, Marcus Pestana (PSDB) classificou a atual crise política como um “momento gravíssimo”. Em postagem no Facebook, o tucano afirmou que o momento é de preservar a ordem constitucional. Apesar de declarar que “ninguém está acima da lei” e que a ampla defesa e a presunção da inocência são princípios democráticos, o tucano lembrou de outros momentos de instabilidade do país, como o período que antecedeu o processo de impeachment e a consequente renúncia do ex-presidente Fernando Collor (PTB). “O PT foi além dos limites no uso do poder. Mistura sem precedentes entre espaços público, privado e partidário resultou no maior escândalo da nossa história. Não há retorno. É preciso apurar e punir.”

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Em contato com a reportagem, Júlio Delgado reforçou o posicionamento de seu partido, o PSB, que reafirmou em nota a postura crítica da legenda em relação ao Governo federal e a tendência dos socialistas a seguir para a oposição. Aliás, o juiz-forano defende uma saída da presidente e quer que seu partido abrace a ideia de que se possa realizar eleições presidenciais ainda este ano. “Defendemos que a ideia do impeachment seja deixada de lado e que se proponha a presidente que ela saia pela porta de frente. Ela vai sair isso é fato. Mas isso pode ocorrer com a construção de uma coalizão para que sejam realizadas eleições presidenciais já este ano, já que teremos os pleitos municipais e a estrutura eleitoral já estará toda montada.” Sobre a questão legal da sugestão, Júlio afirmou que é possível “quando se quer encontrar uma solução política consensual”.

 

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Apoiadores querem trazer Lula a JF

Margarida e Wadson Ribeiro prometem manter uma mobilização em torno da defesa da honra e do legado de Lula. Diante da fala do ex-presidente após o depoimento à Polícia Federal, quando o principal líder petista se colocou à disposição para percorrer o Brasil para combater o que classificou como uma “ditadura midiática”, Margarida revelou o anseio de tentar trazer o ex-presidente à Juiz de Fora. “Vamos usar todas as ferramentas, jurídicas e políticas, para lutar contra isso. Lula se dispôs a ir em todo o Brasil, como já fez no passado para fundar o PT, para levar a sua palavra ao público. Nós iremos chamá-lo para visitar Juiz de Fora. A convocação está posta, é hora de levantar a cabeça e fazer a defesa de nosso projeto democrático”, afirmou a parlamentar.

Wadson endossou o anseio. ” Temos que colocar todos os polos do estado nessa agenda, para que possamos enfrentar estes factoides políticos e midiáticos”, afirmou o juiz-forano, que participou de manifestações pró-Lula no início da noite desta sexta, em São Paulo.

 

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