O governador Antonio Anastasia (PSDB) anunciou ontem a saída do deputado estadual Wander Borges (PSB) da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), substituído pelo também deputado Cássio Soares (PSD), de apenas 30 anos, vice-líder do bloco Transparência e Resultado, de apoio ao Governo de Minas. Apesar da mudança, porém, Borges não retornará à Assembleia, sendo deslocado para a Secretaria Extraordinária de Regularização Fundiária (Seerf). Uma alteração no primeiro escalão mineiro já era esperada, até porque o Executivo terá outras mudanças a serem feitas até abril, mês em que termina o prazo de desincompatibilização dos secretários estaduais que pretendem concorrer às prefeituras de seus municípios nas eleições de outubro.
A aposta inicial para a primeira modificação, porém, não era a Sedese, ocupada durante boa parte do Governo Aécio Neves (PSDB) pelo prefeito de Juiz de Fora, Custódio Mattos (PSDB). Isso porque o PSD de Cássio Soares vinha de olho em pastas com maior volume de recursos, como as secretarias de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) e, principalmente, de Saúde (SES), cujo titular hoje é o juiz-forano Antônio Jorge (PPS), ligado ao deputado federal Marcus Pestana (PSDB). O PSD chegou, inclusive, a ameaçar se manter independente caso a reivindicação por uma pasta de peso não fosse atendida, mas parece ter se contentado com a Sedese, também incluída entre as mais vultosas do primeiro escalão.
Apesar desse entendimento, não foi só pelo PSD que a gestão de Antônio Jorge na Saúde foi ameaçada nos últimos dias. Segundo um peemedebista, na intenção de atrair a sigla, que hoje está na oposição, para a base governista, interlocutores de Anastasia ofereceram tanto a SES quanto a Setop – justamente as duas pastas mais disputadas – para o PMDB. A sigla, contudo, recusou a proposta e se manteve na posição de combate ao Governo. Nos bastidores da bancada peemedebista, a conversa é de que a preocupação do Executivo não é tanto minar a oposição a Anastasia, mas sim atrair o PMDB mineiro para o projeto do senador Aécio para 2014, quando o tucano pretende ser avalizado como o candidato de sua legenda à Presidência da República.
