Brasília (ABr) – A ex-presidente Dilma Rousseff considerou “estranhíssima” a votação separada do impeachment ocorrida na última quarta-feira (31) no Senado, que a condenou a perda de mandato por crime de responsabilidade, mas manteve seus direitos políticos. Em entrevista a jornais estrangeiros, ela afirmou que, com o seu impeachment, foi condenada à “morte política” e disse ter a consciência de que a “democracia foi julgada” junto com ela. “Eu acho que é estranhíssima essa dupla votação. Vota de uma vez de um jeito, vota da outra vez de outro jeito, é no mínimo estranho”, afirmou.
Ao falar sobre o placar da votação, sendo 61 senadores a favor e 20 contra, não foi um “passeio”. “Nem sempre a estrada dos votos é uma estrada de ferro, retinha. Acho que ela é muito tortuosa”, disse. Dilma disse não ter um projeto eleitoral elaborado no momento, mas anunciou que fará oposição ao Governo de Michel Temer.
Eleição direta
Após reunião da Executiva Nacional, o PT anunciou ontem que vai defender a realização de eleição presidencial direta antecipada no país. A reunião ocorreu na sede do partido, no centro de São Paulo, e teve a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A proposta chegou a ser defendida por Dilma Rousseff durante o processo de impeachment, mas não era unanimidade dentro do partido. No documento, o partido não explica como será a proposta de novas eleições. Segundo o presidente do partido, Rui Falcão, pode ser feita, por exemplo, por meio de uma emenda popular, mas ressaltou que a proposta ainda será construída com outros partidos e movimentos sociais e sindicais.
