O maior imbróglio, no entanto, envolve a única sigla que deve discutir seu futuro neste sábado (4), o PSB, uma vez que MDB, DEM e PT têm convenções marcada para domingo. O partido está rachado no estado. De um lado está o grupo que ainda apoia a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, rifada pelo comando nacional do PSB após a costura de um acordo com o PT, que pode resultar na neutralidade dos socialistas na disputa nacional e recuo das duas partes em embates regionais. Na última quarta-feira, Lacerda foi comunicado pelo presidente nacional da sigla e resistiu.
Os desentendimentos levaram a Executiva nacional a destituir a comissão provisória da legenda em Minas, anteriormente presidida por quadros ligados ao ex-prefeito, para nomear uma nova direção, desta vez, capitaneada por um grupo ligado ao deputado federal juiz-forano Júlio Delgado (PSB), que é contrário à candidatura de Lacerda. A troca tem um objetivo claro: minar possíveis articulações do ex-prefeito de Belo Horizonte para viabilizar sua candidatura ao Governo à revelia das articulações do comando nacional. A cisão pode, inclusive, levar a uma situação inusitada.
Partidários de Lacerda tentam manter encontro agendado para a manhã deste sábado para amealhar apoio e manifestações pela manutenção da candidatura do PSB. Um outro encontro pode ser convocado pela nova comissão provisória, no mesmo dia, sem ter, no entanto, a possibilidade de uma candidatura própria em pauta.
Pessoas ligadas ao grupo de Lacerda confiam ter apoio de correligionários para chancelar a candidatura do ex-prefeito ao Governo em convenção. Por outro lado, os adeptos do posicionamento do comando nacional do PSB se abraçam a resolução aprovada no 14º Congresso Nacional do PSB, em março, cujo texto daria à direção nacional poder de aprovar ou não as coligações em cada estado.
O confuso momento do PSB mineiro pode respingar nas decisões dos demais partidos. Nas últimas semanas, Lacerda tentou articular apoio a sua empreitada eleitoral junto ao MDB e ao deputado federal Rodrigo Pacheco (DEM). Sua provável saída de cena, sacode o tabuleiro. Ainda mais sem a definição de que haverá uma aproximação com o PT após o acordo firmado pelas duas agremiações no âmbito nacional.
Nesta sexta, as especulações foram no sentido de que os emedebistas podem seguir o caminho de uma candidatura própria encabeçada pelo presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Adalclever Lopes (MDB). Da mesma forma, uma reedição da dobradinha mantida com o PT nas eleições de 2014, que culminou na eleição de Fernando Pimentel (PT) para o Palácio da Liberdade também voltou a ser aventada nos últimos dias. Pimentel deve tentar a reeleição e ter seu nome confirmado em convenção agendada para domingo.

