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Discreto e querido pelos amigos

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Mineiro de coração, Itamar Franco nasceu em alto-mar, na costa da Bahia, em um navio de cabotagem, o famoso Ita – o nome Itamar é uma referência à embarcação. Foi registrado em Salvador em 28 de junho da 1930. Órfão de pai – o engenheiro Augusto César Stiebler Franco faleceu pouco tempo antes de seu nascimento -, o caçula de quatro irmãos foi criado pela mãe, Itália América Liria Cautieiro Franco, em Juiz de Fora, terra de sua família desde os seis meses de vida.

 Durante a adolescência, Itamar ajudou a mãe a entregar marmitas e trabalhou como office-boy. Estudou no Colégio Granbery por meio de uma bolsa de estudo. Era um aluno regular, cujas melhores lembranças foi integrar a equipe de basquete da instituição, além de disputar alguns campeonatos regionais pelos times do Olímpico e do Sport. Em 1948, Itamar seguiu os caminhos do pai e foi aprovado no vestibular da Escola de Engenharia. Lá, ingressou no movimento estudantil e descobriu sua vocação política. Ocupou a presidência da Liga Universitária Juiz-forana de Esportes e presidiu o Diretório Acadêmico de Engenharia no biênio 52/53. Concluiu o curso Engenharia Civil em 1955 e, no mesmo ano, se filiou ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).Também nesse período, estagiou no Departamento Nacional de Obras. Ele chegou a se aventurar no mundo dos negócios e fundou uma empresa de engenharia em Vitória (ES), a Itec.

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 Durante sua vida, o temperamento difícil e a serenidade se confrontavam. Costumava consultar a mãe, dona Itália, antes de decisões importantes. "Itamar guarda o ressentimento na geladeira", definiu, certa vez, Tancredo Neves. Além da fama de intempestivo, Itamar foi um homem discreto, que cultivava um topete desalinhado e gostava de comprar suas roupas na Loja Miami, no Calçadão da Rua Halfeld. Avesso ao marketing pessoal, optava por se manter distante do assédio da mídia.

 Entre os amigos, era muito querido. Certa vez, o engenheiro Luiz Fernando Surerus o definiu como "carinhoso, fiel e leal". Os dois tinham uma relação muito próxima, se conheceram na infância e estudaram na mesma turma na Faculdade de Engenharia. Através do amigo, Itamar conheceu Anna Elisa Surerus, com quem se casou em 1968 – quando já ocupava a Prefeitura. O casal teve duas filhas – Georgiana e Fabiana – e se separou em 1978.

 Entre os aliados, duas mulheres acompanharam-no de perto: Ruth Hargreaves, que foi secretária da Presidência e esteve com ele em todas as campanhas, e Neuza Mitterhof, com quem trabalhou por mais de 40 anos.

 Durante toda sua trajetória política, Itamar sempre manteve o costume de visitar Juiz de Fora regularmente. Privilegiando a discrição, muitas vezes, apenas os amigos mais próximos sabiam de sua chegada. Era avesso às ligações telefônicas. Supersticioso, evitava o marrom e mantinha imagens de Nossa Senhora sempre por perto.

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