Cenário é mais imprevisível na disputa pela Câmara
A conturbada costura por uma aliança ainda no primeiro turno entre PT e PMDB parece ter alertado os demais partidos para as dificuldades de composição no processo sucessório municipal. A uma semana do início das convenções, não é possível ainda saber quais legendas estão no mesmo palanque. O cenário é ainda mais imprevisível quando se trata da formação de coligações para a disputa por uma cadeira de vereador. Certo, por ora, é que, sem um bom tempo no horário eleitoral no rádio e na TV, não se faz uma campanha majoritária minimamente razoável. Também está pacificado que, com menos de 16 mil votos, nenhuma sigla ou coligação conseguirá alcançar o coeficiente eleitoral para chegar à Câmara Municipal. A solução para ambos os casos, invariavelmente, passa por uma boa aliança.
Para se chegar a uma aliança dessa natureza, os dirigentes partidários, na maioria das vezes, acabam atropelando ideologias e cedendo ao pragmatismo. O PMN, do vereador Isauro Calais, por exemplo, já conversou com quase todos partidos. A situação é semelhante à do PTB, do ex-vereador Vanderlei Tomaz, e a do PRB, do presidente da Câmara, Carlos Bonifácio. Com um candidato considerado forte e sem certeza de chegar aos 16 mil votos, essas legendas são vistas com desconfiança pelos possíveis aliados. O risco é de que a composição sirva apenas para favorecer aquele com mais condição de ser eleito. Ao mesmo tempo, caso se juntem, não há certeza quanto à chance de eleição de dois nomes, um de cada sigla. O mesmo acontece nos partidos com mais de um concorrente de peso, mas sem chapa consistente para eleger uma boa bancada. Desse mal, padecem PT e PSDB.
Os petistas conseguiram se fortalecer para a disputa proporcional trazendo o ex-vereador Juracy Scheffer. Na avaliação de um dos atuais vereadores da sigla, o novo companheiro, no entanto, incrementou apenas a "cabeça" da chapa, que continua sem "corpo". Por "cabeça" ele se refere aos mais cotados, em geral, aqueles que exercem ou já exerceram mandatos. Já o "corpo" seria composto pelos concorrentes com bom potencial de votos, mas com poucas chances de vitória. Para complicar, o PCdoB, tradicional aliado do PT, deve caminhar com o PSB. A situação dos tucanos só não é mais complicada devido à certeza de coligações. Sem condição de eleger nenhum vereador com apenas seus concorrentes, o PSDB vai se juntar ao DEM, que também não vai a lugar algum sozinho. Caso PTB, PRB e PP não consigam aliados mais modestos como desejam, devem se agrupar a PSDB e DEM reeditando o "chapão" de 2008.
Os partidos com chapas proporcionais mais robustas, caso do PMDB, PTC, PSC e PDT devem caminhar sozinhos ou com alguma sigla de menor porte e sem pretensões. As apostas hoje são de que desse quarteto saia metade dos 19 vereadores da próxima legislatura. Isso em um cenário com o PMDB com candidatura própria à Prefeitura. Entre as legendas com aliança definida, estão PR e PPS, com certeza de eleger um dos seus concorrentes, e PSTU e PSOL, ainda como incógnita. Cortejado por quase todos, o PV ainda não definiu para onde vai, mas sabe da necessidade de composição como forma de sobrevivência. Por fim, com alguma chance de surpreender, o PSL, do ex-prefeito Alberto Bejani, é acompanhado a distância. Se seu mandatário não vier para a disputa majoritária, a expectativa é de que a sigla receba pelo menos meia dúzia de convites para coligação. Com Bejani no páreo, a legenda deve se coligar apenas com outra de mesmo porte.
Em busca de tempo no rádio e na TV
Se a proposta de unidade entre PT e PMDB sobreviver às convenções dos dois partidos, resultando na candidatura de Margarida Salomão (PT) com o ex-prefeito Tarcísio Delgado (PMDB) como vice, o tempo da chapa no horário eleitoral gratuito chegaria bem próximo de dez minutos. Isso considerando a adesão também de PCdoB e PSB. Mantendo apenas a petista no páreo, e confirmando a candidatura a prefeito do deputado Bruno Siqueira (PMDB), cada um herdaria metade do tempo de exposição. Juntos ou separados, PT e PMDB não conseguirão alcançar o tempo no rádio e na TV que será dado ao prefeito Custódio Mattos (PSDB). Com PP, DEM, PDT, PTB, PSC, PPS e PTC, a proposta de reeleição tucana terá quase metade do horário eleitoral gratuito, 15 minutos.
Por conta da coligação com o PSOL, a chapa encabeçada por Victória de Fátima Mello (PSTU) alcançará algo perto de 50 segundos. A distribuição do período de exposição dos candidatos no rádio e TV pode ainda sofrer alteração, caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acate ao pedido do PSD. O partido, que foi criado no ano passado e hoje é dono da quarta maior bancada da Câmara, pede que a distribuição dos preciosos minutos do horário eleitoral gratuito com base no número atual de deputados federais e não no número de eleitos como acontece atualmente. O julgamento foi suspenso com dois ministros votando a favor do PSD e um contra. Caso o entendimento favorável seja mantido, o DEM deve ser o principal prejudicado, por ser a sigla que mais perdeu deputados para o novo partido.
A vitória do PSD no TSE pode ainda recolocar o deputado federal Júlio Delgado (PSB) na disputa pela Prefeitura. Mesmo com conversa adiantada com o PT, o parlamentar repensaria sua decisão, na avaliação de aliados, em virtude de um maior tempo no horário eleitoral gratuito, uma vez que conseguiria emplacar uma aliança com o PSD. Quando anunciou o propósito de abrir mão de sua pré-candidatura, Júlio lamentou justamente o isolamento de outros partidos com a consequente redução do tempo para fazer campanha no rádio e na TV.
Visto como menos decisivo na disputa proporcional, o tempo de aparição dos candidatos a vereador no programa eleitoral gratuito depende das alianças e do número de concorrentes de cada partido ou coligação. Nesse casos, aqueles com tempo mínimo de exibição, como o PCB, acabam beneficiando seus concorrentes à Câmara por concorrerem com chapas incompletas.
Vice depende de composição
A hipótese de o ex-prefeito Tarcísio Delgado (PMDB) ser candidato a vice na chapa do PT colocou em evidência a função sempre preterida nas definições sucessórias . No caso em questão, no entanto, não há ainda sinal de definição. Para emplacar seu nome, o peemedebista precisará antes convencer boa parte do partido que defende com unhas e dentes a candidatura a prefeito do deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB). Feito esse indigesto dever de casa, restará ainda a tarefa de convencer a chamada esquerda do PT, que lançou manifesto contrário à aliança.
Prevalecendo a vontade dessa ala petista e também dos adeptos da candidatura própria peemedebista, são grandes as chances de as duas legendas caminharem com chapas puras. No caso do PT, a opção extra partidária seria o ex-secretário-executivo do Ministério do Esporte, Wadson Ribeiro (PCdoB). Já o PMDB, se for para ter um vice de outra sigla, tem como escolha o PMN, mas não com o vereador Isauro Calais, que nega tal propósito. O pastor Aloízio Penido (PTB) também seria outra possibilidade.
O prefeito Custódio Mattos (PSDB) já bateu o martelo e vai repetir a dobradinha com Eduardo Freitas (PDT). O secretário de Administração e Recursos Humanos, Vítor Valverde (PDT), e o diretor-presidente da Cesama, Cláudio Horta (PP), que chegaram a ser cotados para a função, seguem no primeiro escalão da Prefeitura. Também com chapa definida, a pré-candidata Victória de Fátima Mello (PSTU) vai para as urnas com Waldir Giácomo (PSOL) como vice. A mesma aliança deve se repetir na disputa proporcional.
O PCB, que também decidiu que vem para a disputa, não definiu quem será candidato a prefeito e vice. A legenda chegou a ser sondada por PSTU e PSOL, para fazer uma aliança, mas declinou da proposta. Os comunistas pretendem aproveitar o pleito municipal e os 90 anos do partido para apresentar uma proposta alternativa de poder aos juiz-foranos. Por fim, o ex-prefeito Alberto Bejani (PSL) ainda não sinalizou se vem para páreo e muito menos com quem como candidato a vice. Ele prevê uma definição apenas para o próximo dia 10.
