Os sindicatos que representam os servidores do município saíram da primeira rodada de negociações salariais com a Secretaria de Administração e Recursos Humanos sem perspectivas de ganhos reais em 2011 para os cerca de 15 mil trabalhadores da Prefeitura. No fim da tarde de ontem, o Governo propôs reajuste linear que chega a 8,23% até o fim do ano, dos quais 5,89% seriam pagos em maio e correspondem à recomposição inflacionária de acordo com o IPCA, acumulado no período de maio de 2010 a abril de 2011. Os outros 2,34% referem-se a perdas ocorridas em 2009, quando a Prefeitura não concedeu aumento linear ao funcionalismo. Os valores já estavam acordados desde a negociação salarial do ano passado e serão pagos em duas parcelas: 1,34% em 1º de setembro e mais 1% em 1º de novembro.
A primeira reunião com o secretário de Administração e Recursos Humanos, Vítor Valverde, foi rápida e deixou os sindicalistas insatisfeitos. A proposta é insuficiente perto do que estamos reivindicando, que é a inflação mais 10% de ganho real. De concreto, o que a Prefeitura está nos oferecendo é só o IPCA, criticou o coordenador-geral do Sindicato dos Professores, Flávio Bitarello. Já Valverde enfatizou que a concessão do IPCA integral é o almejado, muitas vezes sem sucesso, por trabalhadores na iniciativa privada. A Prefeitura apresentou uma proposta de reajuste linear, que é o melhor que podemos fazer, justificou. Além do IPCA, estamos também dando as recomposições acordadas no ano passado. O que todo trabalhador quer é não ter perdas. Em nota, a assessoria da PJF afirmou que é objetivo prioritário desta Administração valorizar o servidor municipal, mas que, ainda enfrenta, apesar de todos os esforços, um cenário de fortes dificuldades financeiras.
Apesar das alegações do Executivo, a reclamação de Bitarello foi compartilhada pelos representantes dos sindicatos dos Servidores Públicos Municipais (Sinserpu), Cosme Nogueira, dos Engenheiros (Senge), João Queiroz, e dos Médicos, Geraldo Sette. O presidente do Sinserpu frisou que uma das reivindicações da categoria é a incorporação dos abonos. Existem servidores na nossa base que recebem como salário, sem contar os abonos, menos do que um mínimo. Queremos que os benefícios sejam incorporados ao salário, exigiu.
A próxima rodada de negociações está marcada para quinta-feira, às 10h. Até ontem, as entidades sindicais – à exceção do Sindicato dos Médicos, que se reúne amanhã com a classe – não tinham assembleias marcadas antes da próxima reunião com Vítor Valverde. Os dirigentes nãos descartam, contudo, paralisações conjuntas de todas as categorias. Além disso, os professores municipais vão cruzar os braços no próximo dia 11, num movimento simultâneo em todo o Brasil pela implantação do piso nacional para os docentes de todo o país. Segundo Bitarello, a discussão sobre a lei que concede o piso nacional terá impacto direto nas negociações em Juiz de Fora, pelo menos no que diz respeito à redução da jornada de trabalho.
