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Júlio Delgado: ‘as ruas vão reagir’

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A confiança mostrada há algumas semanas pelo deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG) em avançar ao segundo turno das eleições para presidência da Câmara dos Deputados não se confirmou no último domingo, quando Eduardo Cunha (PMDB-RJ) saiu vitorioso da apuração. Com 267 votos, o peemedebista venceu o pleito em turno único deixando para trás Arlindo Chinaglia (PT-SP, que obteve 136 votos), Júlio (cem votos) e Chico Alencar (PSOL-RJ, oito votos). Um dia após o resultado, o socialista agradeceu ontem o apoio do bloco formado por partidos PV, PPS e PSDB, além do próprio PSB. Contudo, o parlamentar juiz-forano afirmou que as vitórias de Cunha e de Renan Calheiros (PMDB-AL), eleito presidente do Senado também no domingo, afastam ainda mais o Congresso da população. “Os deputados que vieram das ruas não ouviram as ruas. E as ruas vão reagir”, avaliou.

Em entrevista à Agência Estado, Júlio defendeu que o bloco partidário que deu sustentação à sua campanha conseguiu marcar espaço na disputa, sem ter que se misturar com outras candidaturas, o que, fatalmente ocorreria, caso o pleito seguisse para o segundo turno, em que um apoio mútuo entre o socialista e Chinaglia era cogitado como possibilidade. “PSDB, PPS e PV entregaram suas faturas”, afirmou. Nos bastidores, entretanto, a avaliação é de que que a votação de Júlio ficou bem abaixo do esperado. Muitos creditam isso ao fato de, por conta de o voto ter sido secreto, muitos deputados do PSDB abandonaram o discurso oficial e debandaram para o lado da candidatura peemedebista, o que teria custado ao juiz-forano pelo menos 30 votos.

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“A decepção não é pelo resultado, é pela simbologia”, minimizou o deputado do PSB, dois anos após ter tentado a Presidência e obtido 165 votos em 2013, quando outro peemedebista, o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), saiu vencedor com 271 votos. Naquela ocasião, PT e PMDB – as duas maiores bancadas da Câmara e principais partidos da base do Governo federal – mantinham um acordo de compadres para que existisse um revezamento entre as duas siglas na presidência. O acordo de compadres, entretanto, foi rasgado este ano com as duas siglas lançando candidatos, racha em que, sem sucesso, Júlio Delgado apostou suas fichas.

CPIs

Um dia depois das eleições, o parlamentar juiz-forano assinou oito pedidos de abertura de comissões parlamentares de inquéritos (CPIs e CPMIs). As propostas são para a instauração de três CPMI’s no Congresso e três na Câmara dos Deputados com o objetivo de investigas irregularidades em fundos de pensão, na Petrobras e no BNDES, além de duas outras CPIs na Câmara, para apurar suspeitas acerca do setor elétrico e do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). “Quero fazer parte da CPI e da CPMI da Petrobras”, afirmou Júlio.

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