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Urnas cacifam nomes para 2016

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O significativo crescimento da representatividade parlamentar de Juiz de Fora na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que, a partir de 2015, passará a ter cinco deputados com domicílio eleitoral na cidade, e a manutenção do trio de deputados federais no Congresso apontam um novo desenho para a sucessão municipal de 2016. Dos oito parlamentares eleitos, pelo menos quatro aparecem como possíveis candidatos à Prefeitura daqui a dois anos. Entre eles, os futuros deputados estaduais Antônio Jorge (PPS) e Noraldino Júnior (PSC) e os deputados federais reeleitos Júlio Delgado (PSB) e Margarida Salomão (PT) surgem como sombras para o provável projeto de reeleição do prefeito Bruno Siqueira (PMDB).

A maior novidade talvez seja a especulação em torno de uma possível candidatura de Noraldino. Candidato a deputado estadual mais votado em Juiz de Fora nas últimas eleições, com o apoio de mais de 38 mil eleitores locais – de um total de 51.871 votos -, o vereador cacifou seu nome para uma possível disputa. Pelo menos é isso o que diz o passado recente da política juiz-forana. Nos últimos 20 anos, das eleições de 1994 para cá, o concorrente mais votado na corrida para a ALMG sempre colocou seu nome como opção para o Executivo municipal dois anos depois. A exceção que confirma a regra é Sebastião Helvécio, majoritário no município em 2006, que ficou de fora da corrida pela Prefeitura em 2008.

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O exemplo mais recente dessa tendência aconteceu há dois anos. Em 2012, o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) venceu as eleições após ter sido o deputado estadual mais votado em Juiz de Fora, onde obteve 43.429 de seus 68.437 votos em 2010. Situação similar ocorreu em 2002, quando Alberto Bejani, então no PFL, foi o mais votado na cidade para a ALMG – 59.499 votos – e se elegeu prefeito dois anos depois. Em 1998, Bejani já havia sido o deputado estadual majoritário no município, com 46.963 votos, mas, em 2000, perdeu a disputa para Tarcísio Delgado no segundo turno. Em 1994, Sebastião Helvécio foi o mais lembrado pelos juiz-foranos. Candidato a prefeito dois anos depois, ficou na quarta colocação em pleito também vencido por Tarcísio.

Além de Noraldino, outro deputado estadual eleito e sempre citado nos bastidores como candidato potencial à Prefeitura é o ex-secretário de Estado de Saúde, Antônio Jorge (PPS), que vai para seu primeiro mandato no Legislativo estadual. Com ligações históricas com o senador Aécio Neves (PSDB), ele surge como uma possibilidade para este grupo político na cidade, após Custódio Mattos (PSDB), ex-prefeito de Juiz de Fora por dois mandatos, ter ficado de fora do último processo eleitoral e do segundo turno das eleições de 2010, quando tentou a reeleição.

Aposta para 4 anos

Outro nome forte do grupo dos tucanos, que, em 20015 deixará o Executivo estadual após 12 anos, é o deputado federal reeleito Marcus Pestana (PSDB). O parlamentar tem tarimba e gordura política para ser uma alternativa para os tucanos da cidade em 2016. Entretanto, pré-candidato ao Palácio Tiradentes até fevereiro deste ano, quando deixou caminho aberto para Pimenta da Veiga (PSDB), possui uma ascendência de abrangência estadual. Presidente do PSDB-MG, o juiz-forano pode estar se cacifando para disputar o Governo de Minas Gerais em 2018, quando seu partido tentará recuperar o controle do Palácio Tiradentes. Em Juiz de Fora, o tucano ganhou pouco mais de 15 mil votos dos131.687 recebidos nas urnas em todo o estado de Minas.

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PT recobra forças na cidade

Assim como em 2010, Margarida Salomão (PT) voltou a ser a mais votada na cidade na corrida por uma cadeira na Câmara dos Deputados. Como a regra de que os candidatos campeões de urna voltam às eleições dois anos depois vale também na disputa por uma vaga no Congresso, seu nome não pode ser descartado para a sucessão municipal em 2016. As vitórias da presidente Dilma Rousseff (PT), reeleita para um segundo mandato, e de Fernando Pimentel (PT), eleito governador de Minas, reforçam a tese que o PT deve voltar a lançar nome próprio à Prefeitura, opção que tem sido recorrente nos últimos pleitos.

Mesmo com especulações de que a ex-reitora não tem ambições de retornar à disputa municipal – Margarida tem adotado um tom discreto sobre o assunto, após ser derrotada por duas vezes em segundo turno -, a deputada segue como principal quadro da legenda na cidade.

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Além da petista, outros candidatos mais votados na cidade para deputado federal que disputaram as eleições dois anos depois foram Custódio (majoritário em 2006 e 2002) e Paulo Delgado (em 1994). Mais uma vez, aconteceu uma única exceção: o próprio Custódio, que, majoritário em 1998, não disputou as eleições municipais de 2000.

Potencial

Apesar de ausente das disputas eleitorais deste ano, o ex-reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Henrique Duque, também é visto como candidato potencial para 2016. Nos últimos anos, Duque foi cortejado por toda gama de partidos, mas preferiu aguardar a definição do atual cenário eleitoral que garantiu mais um mandato para Dilma e colocou Pimentel no Governo de Minas. Em entrevista à Tribuna em setembro, o reitor deixou transparecer o anseio de ingressar na vida pública além da universidade e não negou que o objetivo seria disputar um cargo executivo.

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No caso de Júlio, o deputado ganhou grande destaque no último processo eleitoral pela proximidade com Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco vítima de acidente aéreo em agosto deste ano quando disputava as eleições presidenciais. Presidente estadual do partido, o juiz-forano foi uma das principais vozes das candidaturas de seu pai, Tarcísio Delgado (PSB), ao Governo do Estado, e de Marina Silva (PSB), à Presidência, o que o recolocou em evidência para uma possível disputa pela Prefeitura. Caso tal possibilidade ocorra, o deputado terá que costurar apoios em cenários distintos, já que, este ano, aproximou-se de lideranças do PSDB estadual no segundo turno das eleições presidenciais e, no cenário local, havia subido no palanque do PT no pleito de 2012, quando José Roberto Maranhas (PSB) foi candidato a vice na chapa de Margarida.

Pela reeleição

Nome certo na sucessão municipal de 2016, quando tentará a reeleição, o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) adotou um posicionamento de neutralidade nas eleições deste ano, quando não declarou apoio público à candidatura de Fernando Pimentel (PT) ao Governo. A postura reduz ainda mais a possibilidade de conversas com o PT local para uma improvável reedição da dobradinha vitoriosa nas eleições nacional e estadual deste ano. A hipótese já era considerada carta fora do baralho por conta das rusgas entre o chefe do Executivo e a bancada petista na Câmara. Todavia, um acordo firmado de cima para baixo nunca deve ser descartado.

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