
Reunião na tarde desta terça-feira durou 4 horas
A reunião do Conselho Superior (Consu) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) realizada nesta terça-feira (02), no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), terminou sem definição. A única certeza é que outro encontro dos conselheiros será realizado na próxima terça-feira, às 16h, no mesmo local, ainda com caráter discursivo, ou seja, sem indicativo de votação a respeito da adesão ou não do Hospital Universitário (HU) à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). "Os conselheiros querem ter maiores detalhes para votar com mais consciência", resumiu o reitor da UFJF, Henrique Duque.
Para pressionar uma resposta mais rápida da universidade, os médicos-residentes do HU irão se reunir na manhã desta quarta, para votar paralisação geral das atividades. Além do indicativo de greve, os residentes pretendem entrar com ações coletivas na Justiça. Os ministérios da Saúde e Educação e Conselho Nacional de Residência Médica também serão acionados pelos médicos. "Quem sofre mais com isso é a população, mas vamos buscar os nossos direitos. Somos todos concursados e queremos trabalhar. E, hoje, a única forma de isso acontecer é a adesão imediata a Ebserh", afirmou o presidente da comissão dos médicos residentes da UFJF, Glauco Mendonça.
O Consu é responsável pela decisão sobre o ingresso ou não da instituição ao novo modelo de gestão, representado pela empresa pública de direito privado, criada pelo Governo para administrar as unidades hospitalares universitárias federais. Desde o início do mês passado, o atendimento do HU vem sofrendo uma série de medidas restritivas diante da redução das verbas orçamentárias. As dificuldades tiveram início após o Ministério da Educação deixar de repassar verbas de custeio para o HU que, assim como outros hospitais universitários, não aderiu à Ebserh. Os cortes provocaram problemas como a interrupção da marcação de exames, a redução de internações e o fechamento de cerca de 50 leitos.
Após a reunião desta terça, o diretor da Faculdade de Medicina, Júlio Chebli afirmou que o impacto nas aulas só não é mais grave, pois a maioria dos alunos está em período de férias. "Se essa situação perdurar nos próximos meses, a situação dos residentes e do curso de medicina fica praticamente inviabilizada", afirmou. A situação tende a piorar, pois a Prefeitura de Juiz de Fora ameaça reduzir o repasse de verbas do SUS proporcionalmente à redução dos serviços prestados à comunidade. De acordo com o diretor geral do HU, Dimas Augusto Carvalho, enquanto não há solução, o hospital vive um ciclo vicioso de ausência de verbas e corte nos serviços. "Tivemos um corte de 54% no orçamento. Isso gera dívidas com fornecedores, desabastecimento de produtos e serviços. O que nós obriga a fechar alguns setores, afirmou. O prazo máximo dado pela União para a adesão ou não à Ebserh se expira no próximo dia 30.

