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Mão de obra desafia comércio

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O comércio de Juiz de Fora inicia o mês de dezembro com um desafio: conseguir mão de obra para atender com qualidade o aumento da demanda relativa ao Natal, considerada a melhor data para o setor. A dificuldade em contratar foi sentida durante todo o ano, mas é intensificada agora, quando o movimento nas lojas chega até a triplicar e há necessidade de ampliação do quadro de funcionários. A estimativa do Sindicato do Comércio (Sindicomércio-JF) era de que 1.200 vagas temporárias seriam abertas no último trimestre de 2013. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, em outubro, apenas 111 empregos foram criados pelo setor na cidade. Sendo assim, mais de 90% das oportunidades previstas pela entidade deveriam ser preenchidas entre novembro e dezembro.

Só no comércio da Rua São João, entre a Avenida Rio Branco e a Rua Batista de Oliveira, no Centro, cerca de 30 vagas estavam disponíveis na última quinta-feira, de acordo com levantamento feito pela Tribuna. Lojistas relataram a preocupação com o comprometimento da qualidade de atendimento diante do desfalque do quadro de funcionários. Na loja de roupas Hagler, a procura por três vendedoras durou mais de 20 dias. Conseguimos contratar apenas uma pessoa, disse a gerente Michele Pacheco. Segundo ela, o movimento costuma dobrar nesta época do ano, por isso, o estabelecimento, que trabalha com cinco colaboradores, aumenta para oito o total de funcionários. As vagas são temporárias, mas as chances de efetivação são grandes, destaca. Mesmo assim está difícil encontrar pessoas. Às vezes, os candidatos marcam a entrevista e não comparecem.

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O vice-presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio de Juiz de Fora (SEC-JF), Wagner França, é categórico: os candidatos sumiram. Ele afirma que poucas pessoas têm se interessado pelas vagas do setor. As empresas querem alavancar as vendas de um ano que não foi bom e estão precisando de pessoas, mas não há trabalhadores disponíveis. Segundo França, há casos de profissionais que deixam o currículo na sede da entidade, mas alertam que não querem trabalhar no comércio.

Na loja Cristy Utilidades, a movimentação de clientes aumentou desde o final de outubro. Como trabalhamos com enfeites, as vendas acontecem antes, explica a proprietária Cristiane Gonçalves. Desde então, duas oportunidades estão em aberto. É quase impossível preencher a vaga de vendedor, diz. Não há profissionais qualificados e nem novatos dispostos a serem treinados. Diante da situação, a empresária declara que ela e a equipe estão se virando como podem.

Para conseguir contratar seis dos nove profissionais que procurava, a loja de roupas V8 optou por abrir mão da experiência dos candidatos. Foi a alternativa que encontramos, mas acabou sendo bem sucedida, pois percebemos que é muito melhor treinar a pessoa para ela se adequar ao nosso modelo de trabalho, diz o gerente André Brazuca. Segundo ele, a demanda chega a triplicar no período do Natal e, por isso, não seria possível deixar de contratar. Ainda queremos fechar as outras três vagas.

A dificuldade em ampliar o quadro de funcionários não é exclusividade dos lojistas juiz-foranos. Pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG) realizada com empresários de todo o estado revelou que a falta de capacitação dos trabalhadores (30,3%), a inexperiência (28,9%) e a ausência de perfil para assumir a função (17,1%) tem sido os principais problemas enfrentados pelo comércio mineiro na hora de preencher os contratos temporários deste ano.

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Trabalhador terá aumento de 7,5%

Na última sexta-feira, o Sindicomércio-JF e o SEC-JF fecharam a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) para o setor garantindo reajuste de 7,5% aos profissionais e aumentando o valor do salário base da categoria para R$ 808. O presidente do Sindicomércio-JF, Emerson Beloti, reconhece que o setor enfrenta dificuldades para contratação. Para ele, o motivo do problema seria uma mudança ocorrida no perfil dos candidatos. É difícil encontrar profissionais experientes, as pessoas enxergam o trabalho no comércio como primeiro emprego. Muitos estudam e desejam seguir outra carreira, por isso, a rotatividade é grande, explica. Há dificuldade para contratar e, também, para reter mão de obra.

A declaração de Beloti é confirmada pela psicóloga e proprietária da DespertRH, Gelza Pimentel Cordeiro. Houve uma mudança de perfil. Os candidatos estão mais exigentes e acreditam que as vagas do setor não oferecem o suficiente em comparação ao que as empresas querem dos profissionais. Segundo ela, há cerca de três anos, as oportunidades do comércio eram preenchidas em até três dias, hoje demoram até mais de uma semana. É uma situação que ocorre em outras cidades também. Na nossa sede, em São Paulo, percebemos a mesma dificuldade.

Como alternativa para sanar o problema, Gelza diz que algumas empresas estão oferecendo mais benefícios e abrindo mão da experiência de profissionais. Para auxiliar os empresários, o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Juiz de Fora (CDL-JF), Vandir Domingos, diz que em 2014 a entidade irá formar parceria com uma instituição de ensino para oferecer capacitação aos colaboradores do setor. A falta de mão de obra qualificada é nacional, em quase todos os setores.

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Horário especial

Durante o fechamento da CCT, sindicatos patronal e laboral do comércio acordaram o horário especial de Natal em 2013. De acordo com o documento, as lojas terão horário estendido até as 20h nos dias 11,12, 13 e 21 de dezembro. Nos dias 14 e 24, a jornada será até 18h. Já na semana que antecede o Natal (dias 16,17,18, 19 e 20) o comércio ficará aberto até 21h. Nos domingos 15 e 22 de dezembro, entre 12h e 18h e, no dia 23, até 21h30.

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Rotina cria rejeição às vagas

De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio de Juiz de Fora (SEC-JF), Wagner França, os trabalhadores que não aceitam uma vaga no setor citam a rotina como justificativa para o desinteresse. Há uma rejeição ao emprego que exige carga horária nos finais de semana e feriados. Para os supermercados e shoppings, a dificuldade é ainda maior, garante. França destaca que a entidade luta por cláusulas sociais e econômicas que assegurem o direito dos trabalhadores, mas isto parece que não tem sido suficiente. Os sindicatos patronal e dos empregados estão em cooperação. O trabalhador que trabalha mais, também recebe mais.

Nas lojas do Bahamas em Juiz de Fora mais de 160 vagas estão disponíveis, conforme afirma o gerente de marketing, Nélson Júnior. Estamos falando em vagas efetivas para os mais diferentes cargos, ressalta. Ele diz que a dificuldade em conseguir mão de obra ocorreu durante todo o ano e o número de oportunidades abertas será para reposição do quadro de funcionários. Esperamos aumento de 25% das vendas neste fim de ano e precisamos de pessoas na nossa equipe. Na tentativa de contratar colaboradores a tempo, o departamento de Recursos Humanos do Bahamas tem realizado ações nos bairros para recebimento de currículos. Temos trabalhado firme para captar e, também, treinar profissionais, pois não estamos exigindo experiência.

A estimativa da Associação Mineira de Supermercados (Amis) é que 3.500 vagas estejam abertas no estado. As funções de operadores de caixa, repositores e encarregados são as mais ofertadas. Quanto às chances de contratação, a assessoria da entidade destaca que são altas. Quem demonstra bom desempenho tem condições de ficar, pois o setor demanda muita mão de obra.

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