Candidatura de Bruno em 2018 ganha força entre peemedebistas
Renato Salles
Representantes de 84 cidades da Zona da Mata participaram nesta sexta-feira (01) do Encontro Regional de Prefeituras (Fotos: Leonardo Costa)
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A sexta-feira (1º) foi um dia de grande movimentação política em Juiz de Fora. Sede do Encontro Regional de Prefeituras, que reuniu representantes de 84 municípios no Hotel Gran Victory, a cidade recebeu também várias lideranças políticas estaduais, que, de certa forma, prestigiaram o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) e alimentaram os rumores de uma possível candidatura do chefe do Executivo local a uma cadeira no Congresso Nacional – no Senado ou na Câmara dos Deputados – no ano que vem. Caciques peemedebistas como o vice-governador Antônio Andrade (PMDB) e o deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB) foram além das entrelinhas para apontar Bruno como “futuro” e “esperança” da sigla para projetos políticos vindouros. “É um momento importante para os prefeitos trocarem experiências. O Bruno, por exemplo, cortou despesas e fez um grande trabalho nos primeiros quatro anos de mandato e segue este trabalho agora. Espero que ele alce voos mais altos”, afirmou Andrade, alimentando os rumores de uma possível candidatura do prefeito juiz-forano.
Apesar dos elogios a Bruno, o vice-governador saiu pela tangente quando perguntado sobre as articulações do PMDB sobre as eleições de 2018 no âmbito estadual. Evitou, por exemplo, falar sobre as especulações de que ele próprio voltará a disputar uma cadeira parlamentar, desta vez, para o Senado. Também não abordou a possibilidade de o deputado federal Rodrigo Pacheco ser a aposta do PMDB para retornar ao comando do Governo de Minas, optando por elogiar o prefeito Bruno Siqueira uma vez mais e abrindo espaço para o prefeito em 2018. “(O Bruno) é o futuro do PMDB. Não tenho dúvida nenhuma que nas eleições do ano que vem, o Bruno será candidato a deputado federal, a senador, a governador ou a vice-governador. Ao que ele quiser. Mesmo que seja continuar à frente da Prefeitura de Juiz de Fora, ele irá participar ativamente das eleições do ano que vem.”
O apoio político ao prefeito de Juiz de Fora também foi manifestado por outras lideranças políticas. Com domicílio eleitoral em Santos Dumont, o deputado federal Luiz Fernando Faria – que é irmão de Bebeto Faria, atual secretário Municipal de Agropecuária e Abastecimento – disse não ter dúvida alguma de que Bruno desempenhará um papel de protagonista nas eleições do ano que vem. Também deputado federal, Rodrigo Pacheco também enalteceu a projeção política do prefeito juiz-forano. “Ele concentra a esperança de uma nova política. Tanto que pedi ao diretório estadual que desse mais espaço a Bruno dentro do partido, inclusive nas propagandas partidárias veiculadas no rádio e na TV.
Antes do encontro, Bruno desconversou sobre as eleições de 2018 e o tom político várias vezes percebido durante o encontro. “Todo ser humano é político de alguma forma. Seja aquele que está em sua residência, discutindo as situações com sua família; seja uma pessoa que atua em seu bairro ou na sua empresa. Neste caso específico, temos prefeitos. Acaba sendo um ambiente político. Mas aqui estamos focando a gestão pública, os trabalhos em relação às prefeituras e às discussões no Congresso Nacional para que possamos melhorar a vida do cidadão.
Vice-governador ataca gestão de Pimentel
Apesar de não admitir abertamente uma candidatura nas eleições do ano que vem, o vice-governador Antônio Andrade (PMDB) adotou tom político durante o Encontro Regional de Prefeituras e não poupou críticas à gestão do governador Fernando Pimentel (PT). Em entrevista coletiva dada à imprensa no Hotel Gran Victory, destacou, repetidamente, sua decisão de abandonar o Governo. “Estou fora!” O peemedebista justificou o rompimento de sua aliança com o petista por discordar de ações de Pimentel, a quem acusa de não ter atuado para controlar as finanças do estado.
Não queria falar do Governo do estado. Estou fora do Governo desde já, há bastante tempo, desde a reforma administrativa. O Governo não fez nada para conter as despesas. Pelo contrário. O Governo aumentou o número de secretarias, quando deveria diminuir. Aumentou o pessoal, contratando mais de cinco mil pessoas nas estatais. Aumentou as despesas sem fazer nada para recuperar as receitas”, disparou.
Andrade ainda cobrou maior parceria do Estado para com os municípios mineiros. “Todas as 853 prefeituras têm dinheiro para receber do estado. O ICMS só foi repassado 60% este mês. O Estado tem obrigações que não vêm sendo cumpridas, como os hospitais regionais. Aqui em Juiz de Fora mesmo, teria que ter terminado o hospital regional. Isto foi falado em campanha”, afirmou. Para Andrade, para aliviar as situações de dificuldades vividas pelas prefeituras, “basta ao Estado que cumpra suas obrigações”.
Durante palestra, deputado Marcus Pestana defendeu o chamado distritão e a adoção de uma cláusula de barreira
Pestana se diz ‘descrente’ com avanço de reforma política
Responsável pela palestra que abriu o encontro, o deputado federal Marcus Pestana (PSDB) falou sobre as discussões acerca da reforma política em andamento no Congresso. Para o parlamentar, o atual modelo não fortalece os partidos, não aproxima população e detentores de mandato, é caro e se mostra como um obstáculo para a governabilidade. “Criamos um monstro.” O parlamentar elencou três situações que, para ele, necessitam de soluções urgentes: o incremento da representação popular, melhorias na organização partidária e eleitoral e o financiamento do sistema. “Se faz uma reforma estrutural quando um ciclo se esgota. Chegamos neste ponto no Brasil”, defendeu o tucano.
Neste sentido, apesar de discordar da essência da proposta, Pestana defendeu a aprovação do modelo eleitoral chamado de “distritão”, como maneira pactuada para a adoção do “distrital misto” – formato de preferência do parlamentar – a partir das eleições de 2022. “É melhor que, neste momento, reconheçamos a falência do sistema eleitoral brasileiro, façamos o distritão, para que possamos caminhar para um sistema mais amadurecido em 2022. Entre outros pontos, o deputado defendeu também adoção da chamada cláusula de barreira.
O parlamentar, no entanto, mostrou-se descrente acerca da aprovação de mudanças em tempo hábil para as eleições do ano que vem. Caso tal cenário se confirme, Pestana já manifesta anseio em apresentar uma proposta de emenda à Constituição para debater com a população temas relacionados à reforma política.
Ainda sobre o tema, o também deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB) sugeriu a discussão sobre um novo modelo de financiamento de campanha, formado por um fundo mantido com a destinação de um pequeno percentual – entre 1% e 2 %, na opinião do peemedebista – dos subsídios recebidos por todos os agentes públicos do país. “Imaginemos um fundo mantido com um percentual dos salários dos políticos. São milhares de vereadores, prefeitos e deputados. Estes recursos, que, de certa forma, também são públicos, teriam uma maior aceitação da sociedade e se juntariam às doações de pessoas físicas, dos próprios candidatos e dos partidos no financiamento das campanhas eleitorais.”
Encontro foca troca de experiências entre prefeitos
Anfitrião do Encontro Regional de Prefeitos, o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) defendeu a importância do debate para a troca de experiências entre gestores municipais, com discussões pertinentes à pauta municipalista, à reforma política e a ações locais para enfrentar a crise financeira que assola o país e o estado. “Estamos enfrentando grandes dificuldades financeiras. Os mais prejudicados são os municípios. Daí a necessidade desta troca de experiências, para que, mesmo na crise, os cidadãos mineiros possam ser bem atendidos pelas políticas públicas”, afirmou na abertura dos trabalhos.
A possibilidade de amplo debate entre os diferentes perfis de gestões públicas praticadas pelos 84 municípios envolvidos no encontro também foi elogiada pelo vice-governador Antônio Andrade. “É importantíssimo, em um momento de crise, a troca de informações entre os prefeitos para saber o que bom tem sido feito e o que não deve ser feito. Os prefeitos estão fazendo sua parte, com a contenção da despesa e a busca pelo aumento da arrecadação”, considerou o peemedebista.
Organizado pela Prefeitura de Juiz de Fora, o evento contou com a realização de palestras, oficinas e capacitações. Além de estandes de várias secretarias municipais da cidade, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) de Minas Gerais realizou treinamento para servidores de municípios da região sobre as diretrizes de efetivação da nova “Lei do Terceiro Setor” (Lei Federal 13.019/14).O encontro contou ainda com apoio da Associação dos Municípios da Microrregião do Vale Paraibuna (Ampar) e da Frente Nacional dos Prefeitos, da qual Bruno Siqueira é o vice-presidente em Minas Gerais.