
O Parque Estadual do Rio Doce, local que abrigou a onça-pintada que surpreendeu moradores de Juiz de Fora em 2019, voltou a ganhar destaque nacional e internacional. Uma imagem captada na unidade de conservação foi escolhida pela National Geographic como uma das 25 melhores fotos de 2025, colocando Minas Gerais no mapa mundial da fotografia de natureza.
O registro, feito pelo fotógrafo brasileiro Fernando Faciole, mostra uma onça-pintada entre as sombras densas da Mata Atlântica. A imagem, que integra a lista Pictures of the Year, foi produzida quase por acaso: enquanto monitorava a toca de um tatu-canastra, Faciole foi surpreendido pela presença silenciosa do felino — uma espécie cada vez mais rara no bioma.
Segundo a National Geographic, a seleção das 25 fotos deste ano reflete “um mundo em rápida transformação” e reforça a urgência da conservação de ecossistemas ameaçados. A lista reúne imagens de mais de 20 países, incluindo registros de uma baleia cachalote entre blocos de gelo polar e cenas de festivais religiosos na Índia. A aparição da onça mineira, no entanto, foi uma das que mais chamou atenção pela força simbólica e pela relevância ambiental.
Fotografia, ciência e conservação
Bolsista da National Geographic Society, Fernando Faciole dedica-se há mais de 15 anos à documentação da fauna brasileira. Seu trabalho ultrapassa a fotografia de vida selvagem e se insere no campo da chamada “fotografia de conservação”, que une ciência, arte e impacto social para aproximar o público dos desafios ambientais.
Faciole integra o Projeto Tatu-canastra e já teve imagens publicadas na National Geographic Brasil, na BBC Wildlife Magazine e em premiações internacionais como o Panda Awards. Em 2024, entrou para a lista da Forbes Under 30, que reconhece jovens lideranças de destaque. Agora, seu novo feito ajuda a evidenciar a importância dos ecossistemas mineiros.
O lar da onça que mobilizou Juiz de Fora
O Parque Estadual do Rio Doce foi o destino final da onça-pintada avistada em Juiz de Fora — episódio que mobilizou moradores e autoridades ambientais entre abril e maio de 2019. O animal foi encontrado no Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Em sua passagem, a onça também foi vista andando pelo Bairro Industrial, Zona Norte e, duas noites depois, ela provavelmente atacou um galinheiro no Bairro Parque das Torres, na mesma região. Após ser monitorado e resgatado com segurança, o animal foi levado à unidade de conservação, onde encontrou habitat adequado para sua reintegração ao ambiente natural.
Administrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), o parque é o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica em Minas e um dos últimos refúgios da espécie no estado. Criado em 1944, ocupa áreas de Dionísio, Marliéria e Timóteo, no Vale do Aço, e abriga ainda o terceiro maior conjunto de lagos do Brasil. Com quase 36 mil hectares e mais de 40 lagoas espalhadas pela paisagem, o parque concilia preservação, pesquisa e educação ambiental.
O novo reconhecimento internacional reforça o papel estratégico da unidade na proteção da biodiversidade e evidencia a relevância das áreas protegidas mineiras para a conservação da onça-pintada.

