O Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) irá instalar, a partir de junho, 1300 radares com leitura automática de placas em tempo real, os chamados radares inteligentes. Os novos equipamentos irão monitorar a circulação de veículos de forma contínua, identificar automóveis roubados ou clonados, cruzar informações e detectar padrões de comportamento fora do comum, como deslocamentos atípicos e circulação recorrente de veículos em comboio.
A previsão é de 686 novos equipamentos. Os 614 restantes, gradualmente, irão substituir os modelos mais antigos, que estão em uso. Os primeiros 210 dispositivos com a nova tecnologia começam a ser instalados a partir do próximo mês e serão incorporados à atual rede. A expectativa é que, até 2028, os radares inteligentes estejam em funcionamento por toda a malha rodoviária estadual. Ao todo, o DER-MG é responsável por 129 estradas em Minas Gerais. Dessas, 29 cortam a Zona da Mata.
A definição dos pontos de instalação dos radares também segue uma lógica técnica. Os locais foram escolhidos com base em estudos de geoprocessamento e análise consolidada de dados, priorizando especialmente trechos com maior incidência de acidentes.
Segundo o DER-MG, os dados coletados pelos radares serão integrados e processados automaticamente, permitindo o cruzamento com bases já existentes e gerando alertas instantâneos. Com isso, a fiscalização nas estradas poderá ser feita de forma mais precisa, sem abordagens aleatórias e com maior efetividade no combate a irregularidades. “Se um veículo percorre o mesmo trajeto diversas vezes ao dia ou apresenta um padrão de circulação incomum, o sistema sinaliza automaticamente, permitindo que a fiscalização atue de forma muito mais assertiva”, explica o diretor de Operação Viária do DER-MG, Rodrigo Santos Colares.
Previsibilidade no tráfego
Além dos ganhos operacionais propriamente ditos, a iniciativa traz impactos diretos para os usuários das rodovias. O DER-MG espera que os radares tragam maior controle e previsibilidade no tráfego, o que levaria a redução de riscos, melhoria nas condições de circulação e, a médio prazo, efeitos positivos até mesmo em custos associados, como no caso do potencial barateamento dos seguros veiculares. A instituição estima que os novos radares têm potencial para gerar cerca de R$ 76 milhões em economia relacionada aos custos com acidentes nas rodovias.
As informações colhidas pelos novos radares também poderão ser utilizadas como ferramenta de fiscalização de outros órgãos, como a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG) e a Secretaria de Estado de Fazenda (SEF-MG).
Além disso, o modelo de contratação dos radares inteligentes será por desempenho. Com isso, os equipamentos serão remunerados pelo tempo efetivo de operação. Dessa forma, se os aparelhos não funcionarem de maneira adequada, o Governo de Minas não terá que pagar pelo funcionamento.
Expectativa de mais segurança às rodovias mineiras
O especialista em mobilidade urbana José Luiz Britto Bastos destaca que Minas Gerais possui uma das maiores malhas rodoviárias do Brasil e, por isso, a utilização da tecnologia como aliada na fiscalização é uma medida positiva. “Acho excelente a iniciativa das autoridades do Estado de Minas Gerais em decidir dotar sua rede viária de radares comuns e inteligentes. As rodovias e as vias urbanas devem sempre ser monitoradas. É através do monitoramento que as autoridades de trânsito podem avaliar comportamentos de condutores nas vias”, afirma.
Britto entende que não é possível avaliar se 1.300 radares são a quantidade ideal para fiscalizar as estradas mineiras, mas reforça que toda atualização tecnológica é benéfica. “É um bom número de equipamentos, que poderão trazer resultados positivos na redução de acidentes de trânsito rodoviários. Não custa lembrar que os radares inteligentes são infinitamente melhores do que os radares comuns que apenas detectam o excesso de velocidade”, analisa.
Apesar de reconhecer que os equipamentos poderão contribuir para o aumento da segurança nas rodovias, Britto destaca que a mudança do comportamento dos motoristas é o principal fator para uma real diminuição do número de acidentes. “O excesso de velocidade, as ultrapassagens proibidas, o uso dos celulares e o consumo de álcool durante a direção as principais atitudes proibidas por lei, que causam tragédias nas rodovias. Infelizmente, no Brasil, os condutores de veículos automotores são extremamente irresponsáveis. A imprudência está arraigada ao comportamento de motoristas e motociclistas, que colocam as próprias vidas e a de terceiros em risco com esse reprovável comportamento. Quando as pessoas não respeitam as normas de trânsito, não há recurso senão fiscalizar e punir os infratores”, explica.
