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Revista britânica The Economist aponta finanças em ‘ruínas’ e diz que Minas está ‘negligenciada’

Governo de Minas foto Gil Leonardi ImprensaMG2 IMG 0059
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O protagonismo de Minas Gerais, segundo estado mais populoso do país e historicamente decisivo nas eleições presidenciais, virou manchete na revista britânica The Economist. Em reportagem publicada nesta semana, o veículo classificou o estado como um “espelho do Brasil”, mas afirmou que Minas estaria sendo “negligenciada” e com as finanças em “ruínas”.

A revista atribui a deterioração das contas públicas de Minas Gerais ao efeito acumulado de décadas de subfinanciamento do sistema previdenciário estadual. Embora o Governo de Minas sustente que a gestão de Romeu Zema (Novo), entre 2019 e 2026, não contratou novos empréstimos diretamente com a União, o estoque da dívida estadual continuou crescendo, sobretudo em razão de juros, correção monetária e do pagamento parcial das parcelas.

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Segundo a publicação, as próximas gestões encontrarão um estado pressionado pela necessidade de reduzir despesas. A adoção de medidas consideradas impopulares poderá, inclusive, afetar a relação da próxima administração com o eleitorado.

Os desafios econômicos e seus reflexos no cenário político foram reforçados pelo economista João Gabriel Pio, ouvido pela revista britânica. Segundo ele, o próximo governador terá pouca flexibilidade fiscal. “Quem assumir não terá margem de manobra”, avaliou.

O texto também chama atenção para gargalos estruturais de Minas Gerais, incluindo a precariedade da malha rodoviária e o perfil exportador da economia estadual. Segundo a análise, o estado envia ao exterior grandes volumes de matérias-primas, como minério de ferro, estanho, grafite e nióbio, sem reter a maior parcela do valor agregado gerado por esses produtos.

A avaliação publicada pela The Economist contrasta com o panorama positivo do estado publicado pela revista em uma reportagem de 2013. Na ocasião, o estado era apresentado como um exemplo de gestão pública, em meio aos efeitos do chamado “Choque de Gestão”, conjunto de medidas administrativas implementadas a partir de 2003. 

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À época, o Governo de Minas destacou amplamente a publicação, citando a avaliação da revista e uma pesquisa da consultoria Macroplan com executivos brasileiros, segundo a qual o estado era percebido como um dos mais bem administrados do país. O texto chegou a afirmar que uma dose do “remédio de Minas” poderia servir de referência para o restante do Brasil.

Treze anos depois, porém, a análise da revista britânica aponta para um cenário distinto. A reportagem publicada nesta semana sustenta que os efeitos das restrições fiscais se tornaram particularmente visíveis em Minas Gerais, estado que enfrenta desafios relacionados ao endividamento público, à infraestrutura e à capacidade de investimento. A mudança de enfoque evidencia a distância entre o diagnóstico otimista apresentado no início da década passada e as dificuldades fiscais que se acumularam até este ano. 

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O que diz o estado

Procurado pela Tribuna para comentar a avaliação publicada pela revista, o Governo de Minas disse que “desde 2019, Minas Gerais saiu de uma situação de colapso fiscal para um cenário de equilíbrio e retomada da capacidade de investimento”. Em nota, a Administração estadual, atualmente comandada por Matheus Simões, informou que Minas vem promovendo um processo de reorganização fiscal e financeira. Simões assumiu o cargo após a saída de Zema e tornou-se pré-candidato à disputa pelo Governo de Minas pelo Partido Social Democrático (PSD) nas eleições deste ano.

No que se refere especificamente ao campo fiscal, o Estado informou que apresentou melhora consistente nos indicadores da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). “O comprometimento da Receita Corrente Líquida com despesas de pessoal caiu de 66,7% em 2018 para 48,2% em 2025, retornando a patamar inferior ao limite máximo de 49% previsto na legislação.”

Para tratar da dívida histórica, a Administração estadual aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), com o objetivo de reduzir os custos financeiros, ampliar os prazos de pagamento e possibilitar a amortização extraordinária da dívida por meio da transferência de ativos à União. O Governo de Minas informou também que já efetuava o pagamento da dívida com a União no âmbito do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), respeitando as regras de retomada gradual previstas pelo programa. Com a adesão ao Propag, segundo o Executivo estadual, a dívida passou a seguir novas condições de pagamento. “Houve a retomada integral dos pagamentos das operações de crédito com garantia da União, conforme as condições contratuais vigentes”, afirmou.

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