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Padre mineiro com passagem por Juiz de Fora morre aos 103 anos enquanto rezava Ave Maria em igreja

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O padre José Luciano Jacques Penido morreu aos 103 anos na sexta-feira (9), enquanto rezava a oração da Ave Maria na Igreja de Santo Afonso, no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. O sacerdote é mineiro, nascido em Belo Vale, município da região Central do estado, localizado a cerca de 130 quilômetros de Barbacena e a 220 de Juiz de Fora, por onde ele passou durante a formação religiosa.

Penido foi velado no último sábado (10), na Paróquia Santo Afonso, e no domingo (11), na Capela do Cemitério da Glória, em Juiz de Fora. Ele foi sepultado no mesmo dia, no Cemitério Redentorista.

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Padre José Luciano Jacques Penido (Foto Divulgação / Arquidiocese do Rio)

De acordo com o padre Sérgio Luiz e Silva, o Penido faleceu por volta das 18h, acompanhado por outros religiosos, durante um momento de oração. “Ele foi acompanhado nesses últimos momentos pela nossa presença e pela oração. E assim foi que ontem, às seis horas da tarde, ele partiu. Os olhos do padre Penido agora contemplam o Redentor”, afirmou Silva durante missa.

Nascido em Minas no dia 18 de outubro de 1922, Penido viveu metade da vida no Rio de Janeiro. O sacerdote foi descrito como um homem “antenado” e “crítico à realidade”, que trazia o que acontecia no País e no mundo “à luz da Palavra”. Segundo Silva, Penido era um grande devoto de Nossa Senhora, que rezou muitas Ave-Marias.

O padre também fundou o Museu do Escravo em Belo Vale. “Sua trajetória de vida, marcada pela caridade e pelo sacerdócio fiel deixa uma marca indelével na história de Belo Vale. Como fundador do Museu do Escravo, Padre Luciano deixa também um legado cultural imensurável, tendo sido um guardião incansável da memória e da identidade de nossa gente”, afirma a publicação do museu no Instagram.

Padre tem passagem por Juiz de Fora

Ainda jovem, Penido passou por Juiz de Fora durante a formação religiosa. Em 1941, fez o noviciado no Seminário da Floresta e, no ano seguinte, professou os votos religiosos temporários na Congregação do Santíssimo Redentor. Décadas depois, a cidade voltou a cruzar o caminho do sacerdote quando ele foi eleito superior provincial da antiga Província do Rio de Janeiro, função que exerceu entre 1962 e 1967, residindo na Comunidade Nossa Senhora da Glória.

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Ao longo da trajetória, acumulou 83 anos de consagração religiosa e 78 de sacerdócio. O período à frente da Província coincidiu com o início de uma fase delicada de reestruturação, com fechamento de algumas casas, mas também com iniciativas como a inauguração do Juniorato em Três Pontas (MG) e o reconhecimento do Santuário de São Geraldo, em Curvelo (MG), elevado à dignidade de basílica menor. Em 1967, durante um encontro da Congregação em Roma, ele decidiu renunciar ao cargo e permaneceu na cidade até 1969, quando cursou Moral e Jornalismo e atuou como vice-diretor da Rádio Vaticana.

De volta ao Brasil, passou por Curvelo e pela Arquidiocese de Diamantina (MG) antes de se estabelecer, a partir de 1975, na Comunidade Santo Afonso, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde se tornou figura querida entre os paroquianos. Também deixou marca em Minas ao fundar o Museu do Escravo, em Belo Vale, dedicado à preservação da memória da escravidão e da resistência negra.

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