Uma mulher de 34 anos foi condenada a 56 anos e oito meses de prisão, em regime inicialmente fechado, pelos assassinatos da própria mãe, de 67 anos, e da filha, de 10. O julgamento foi realizado na quarta-feira (30), em Belo Horizonte. Os crimes ocorreram entre os dias 13 e 14 de março de 2023, no Bairro Piratininga, na Região de Venda Nova.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a mulher morava com as duas vítimas no mesmo imóvel. A acusação sustentou que ela mantinha uma relação de dependência financeira em relação à mãe e decidiu matá-la por asfixia após esgotar os recursos da idosa e não conseguir mais dinheiro para as próprias despesas.
Ainda conforme o MP, durante o ataque, a mulher de 67 anos pediu para que a filha parasse. A agressão só teria terminado quando a acusada percebeu que a mãe não respirava mais.
Na sequência, segundo a denúncia, a mulher matou a filha de 10 anos com o objetivo de ocultar o primeiro homicídio. De acordo com o MP, ela convenceu a criança a não pedir socorro e deu a ela medicamentos e álcool.
A acusação relatou ainda que a menina foi submetida a sofrimento físico e psicológico. A mulher teria dito à filha que a avó havia morrido, que cometeria suicídio e que, sem alguém para cuidar dela, a criança precisaria morar em um abrigo.
Segundo o MP, a mulher também tentou cortar os pulsos da filha com uma faca. Depois, passou a comprimir o pescoço da criança com o braço. A menina teria tentado reagir. A acusada então convenceu a filha a deixar os braços amarrados para trás e voltou a asfixiá-la até a morte, conforme a denúncia.
Após os crimes, a mulher utilizou o celular da mãe para enviar mensagens ao chefe da idosa, passando-se por ela para justificar sua ausência no trabalho. A conduta foi apontada no processo como fraude processual e tentativa de dificultar a descoberta do crime.
Ré confessou crimes durante julgamento
Durante o julgamento, a mulher confessou ter matado a mãe e a filha, mas negou que a motivação tivesse relação com dinheiro ou com empréstimos que teriam sido negados.
Em depoimento, ela afirmou que já pensava em tirar a própria vida por considerar que não era uma boa filha e mãe, por não trabalhar para contribuir com as despesas e por acreditar que não dava suporte à mãe.
A ré declarou que, inicialmente, pretendia esperar que a mãe e a filha saíssem do apartamento para fazer compras e, então, cometer suicídio. Segundo o relato apresentado no julgamento, ela mudou de ideia ao pensar que as duas encontrariam seu corpo e decidiu matá-las antes.
A mulher também afirmou ter tentado tirar a própria vida após os homicídios, cortando-se com uma faca. No dia seguinte, ainda de acordo com o depoimento, tentou inalar gás, mas a ação foi interrompida após uma equipe de resgate arrombar a porta do apartamento.
Os jurados reconheceram as qualificadoras de meio cruel, recurso que dificultou a defesa das vítimas e feminicídio nos dois homicídios. A pena foi fixada em 56 anos e oito meses de prisão.

