Tradicionalmente a cidade de São Paulo sedia a Corrida Internacional de São Silvestre no dia 31 de dezembro, mesma data que homenageia o Papa da Igreja Católica São Silvestre I, de onde também vem o nome da prova criada ainda em 1925. O evento é o mais famoso da América do Sul na modalidade, com um percurso atual de 15km pelo Centro de São Paulo. Em 2020, no entanto, um dos compromissos mais aguardados por todo amante da modalidade teve que ser adiado para 11 de julho de 2021 em função da pandemia do coronavírus, fato que nunca havia acontecido nos 95 anos de história da corrida e que mudou a programação de muitos juiz-foranos e atletas da região que criaram o hábito de integrar a multidão que larga na Avenida Paulista.
É o caso da atleta Denise Baesso, 61 anos, que participa da São Silvestre desde 2013. Ela conta que a primeira experiência aconteceu por acaso, porque não sabia que era um evento acessível para participar. Até que descobriu excursões que saem de Juiz de Fora para a prova. Ela marcou presença logo na época que iniciou na modalidade, e brinca que sua estreia foi “muito no susto”, pois pensava que não iria conseguir completar os 15km. “Mas fui no fluxo e acabou dando certo. Na verdade, foi muito emocionante”, recorda.
Para Denise, essa emoção é sentida em todas as edições da principal prova do país, e independe de ser a primeira vez ou não que o atleta integra o evento. Atualmente ela soma seis participações na São Silvestre seguidas e faz questão de expressar o sentimento de conquista que vivencia todos os anos ao final da prova. “Quando você chega lá em cima na (avenida) Brigadeiro, vem um sentimento tão maravilhoso, que é até difícil de descrever.”
Como a São Silvestre acontece no dia 31 de dezembro, o último dia do ano, a experiência vai além de apenas uma prova. Denise resume a sensação como “o dever cumprido de um ano que termina.”
A corredora destaca ainda ser um momento especial para refletir os acontecimentos da temporada que está no final. “Durante a prova eu penso em várias coisas, é uma oportunidade para relembrar as experiências que tive durante o ano. Principalmente na de 2013, em que fui sozinha, na cara e na coragem”.
A corredora conta, inclusive, que sua filha, Júlia Baesso, se interessou pelo esporte depois de a mãe ter compartilhado sua experiência. Ela pegou gosto pela corrida e já participou cinco vezes desde então.
Além do desafio de completar o percurso dos 15 km, Denise descreve a corrida como um momento de festa. ” Todo ano ficamos pela cidade e comemoramos a virada com os amigos de corrida. Quando você encontra com outro corredor, o assunto é só esse”, brinca. “É o conjunto que faz a São Silvestre ser uma corrida diferente das outras”, completa.
Sem corridas na pandemia
Com o ano atípico devido a pandemia do coronavírus, a rotina de muitos corredores foi alterada. Inclusive para Denise que, durante esse período, se ausentou dos treinos também por conta de uma lesão sofrida logo no início de 2020, e, por isso, ficou impossibilitada de realizar suas atividades físicas. “Infelizmente durante toda a pandemia não corremos. Quando minha lesão sarou, fiquei preocupada em me exercitar na rua, principalmente na Via São Pedro aqui em Juiz de Fora, que fica muito movimentada”. Ela e suas filhas focam, atualmente, nos exercícios dentro de casa.
Com o adiamento da São Silvestre, Denise e muitos outros atletas não terão a vivência dos 15 quilômetros na capital paulista. Mas ela não se opõe da decisão que segue os protocolos de segurança sanitária. “A gente lamenta muito esse ano não ter a corrida, mas isso é uma questão ainda muito importante. Tenho fé de um futuro melhor e que ainda teremos muitas edições para nos preparar e poder participar”, destaca, esperançosa.
Consequentemente, seus planos para a virada do ano também serão diferentes das últimas comemorações. “Vou passar o feriado com minhas duas filhas e minha mãe. Não temos como comemorar, precisamos, na verdade, nos precaver e nos resguardar.” Ela, que seguiu à risca o isolamento durante toda a pandemia, mantém a esperança que, dessa maneira, almeja poder, então, participar das próximas edições da São Silvestre. Esperança, esta, estendida por todos os amantes da tradicional prova brasileira e de um dos esportes mais populares do país.
