Jamaica abaixo de zero
Era para começar com ‘Pés gelados’. Mas como meu amigo Renato Salles já usa ‘Os pés pelas mãos’ no alto de sua célebre coluna, resolvi fazer uma referência ao filme que conta a história de quatro jamaicanos com um sonho impossível: participar das Olimpíadas de Inverno com um trenó na neve. No entanto, o assunto é futebol.
Nunca fui supersticioso, não acredito em simpatias e se não passei por baixo de uma escada era porque algo poderia cair na minha cabeça. Ou seja, não acho, ou não achava, que algo extracampo poderia influenciar no resultado de uma partida. Contudo, os últimos acontecimentos futebolísticos me fizeram refletir a possibilidade de eu ser culpado por muitos casos estranhos.
Tudo começou em 1988, quando eu tinha 7 anos. Vi o Internacional derrotar o Flamengo no Nacional e o escolhi como meu primeiro time. Também o vi perder o título para o Bahia. Anos depois, convencido pelos amigos de que um juiz-forano tinha que torcer para um clube do Rio, abracei o Fluminense. Começou bonito, gol de barriga do Renato Gaúcho. Depois amarguei a série de rebaixamentos consecutivos.
Desiludido, segui a tradição familiar: Atlético. Sem conquista importante, fui fiel até na Segunda Divisão. Mas 6 x 1, no dia de afundar o maior rival, foi a gota. Não torceria mais para quem só me dava desgosto. E agora? É o atual líder do Brasileirão.
Então pensei, só me resta o invencível, todo-poderoso, mítico Barcelona. É impossível perder, serei campeão Mundial e…
No momento não tenho para quem torcer e tenho medo de escolher alguma equipe. Acho que ver um time meu campeão está ainda mais impossível do que o sonho daqueles atletas jamaicanos.
*O titular da coluna, Wallace Mattos, volta a escrever neste espaço na próxima terça-feira
