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Rifando o próprio quimono

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O visto foi tirado. As inscrições foram devidamente realizadas. Mas a participação do atleta juiz-jorano Antônio Inácio, 34 anos, em dois importantes campeonatos internacionais de jiu-jítsu por pouco não esbarra na questão financeira. A cerca de quatro meses do Campeonato Mundial de Jiu-Jítsu, que será disputado entre os dias 26 e 27 de setembro, em Las Vegas, e do Pan-Americano No-Gi, agendado para 3 de outubro, em Nova York, ele luta – literalmente – para arrecadar cerca de R$ 2.500 para custear as passagens áreas. E já conseguiu quase que o valor total. A partir da dificuldade, Inácio resolveu rifar um quimono, recebido como premiação em uma luta disputada em Visconde do Rio Branco, em abril. Em pouco mais de um mês, foram cerca de 80 bilhetes vendidos, e R$ 800 arrecadados. A situação melhorou muito com o patrocínio da empresa de metalurgia MetalRail, que vai arcar com metade do valor das passagens. Inácio ainda conta com apoio de outras duas empresas da cidade: Estação Fitness, academia que oferece gratuitamente os treinos de musculação, e Marquise Restaurante, responsável pelas refeições diárias do atleta. Para tentar compensar o déficit financeiro, além das rifas, ele considera intensificar a rotina diária. “O sustento sempre acaba vindo por conta própria, como professor. Troco cebola, dando aula para bancar os campeonatos. A rotina fica puxada e acabo intercalando as duas coisas. Além das aulas diárias, são cerca de 4h de treino físico e 1h30min de academia. Todo dia paro de treinar por volta da meia-noite, para começar tudo de novo às 7h, de segunda a sexta.” O atleta reconhece a desvalorização do esporte, mas, ao mesmo tempo, não se imagina afastado da modalidade. Para ele, a não inclusão do jiu-jítsu como esporte olímpico ajuda a agravar a situação. “Por ser considerado um esporte amador, é preciso ralar, correr muito atrás e, principalmente, amar muito aquilo que faz. Talvez, com o incentivo do Governo aos esportes olímpicos, que também não é grande coisa, a situação fosse um pouco melhor”, avalia Inácio, que ostenta títulos de expressão nacional e internacional, como o Campeonato Brasileiro Sudeste, a Seletiva de Abu Dhabi e a Copa Mercosul, conquistada três vezes (2009/10/13).

Professor de emiradenses

Para equilibrar as contas sem abrir mão do esporte, Antônio Inácio chegou a viver uma rápida experiência no MMA. No entanto, questões como baixo valor oferecido nos torneios, maior exposição a lesões e necessidade de vínculo a empresários fizeram o lutador abortar a ideia. Ele se agarra agora à possibilidade de um novo caminho, ainda como professor, mas de uma forma mais segura e lucrativa. “Meu objetivo é participar de um processo seletivo em dezembro, visando a uma vaga como professor de jiu-jítsu em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Por sermos referência mundial no jiu-jítsu, eles têm buscado brasileiros para dar aulas nas escolas”. Se for escolhido, Inácio poderá receber cerca de US$ 5 mil mensais, além de moradia e infraestrutura para treino. “Tenho amigos que fizeram essa troca e não se arrependeram. Diferente daqui, lá você ganha para lutar. Por maior que seja a minha paixão, disputar campeonato sem receber premiação em dinheiro e ter que trocar cebola para viajar é uma situação que incomoda”, confessa. Assim como muitos atletas profissionais e amadores, Inácio passou a recorrer ao financiamento coletivo (crowdfunding) através do Vakinha (www.vakinha.com.br), portal para quem busca doações online.

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