Nada no balaio
Ricardo Miranda
A receita é de uma das minhas tias lá da roça. Foi-me passada no Natal. A fonte seria uma revista especializada em ajudar as pessoas a superar seus embaraços psicológicos. Seria infalível. Primeiramente, é preciso fazer uma lista de tudo passível de ser desfeito, jogado fora. Deve ser escrita à mão, nada de computador, como salientou a tia. Depois vem a tarefa mais cansativa: encontrar um lugar bem alto. Imagino, por exemplo, o Morro do Imperador. De lá, a recomendação é para, aos gritos, pronunciar tudo descrito na lista. Isso, claro, no último dia do ano.
Como orientação dos mais velhos não se discute, vamos à lista. Primeiro: não gostei de o Atlético ter vencido o Campeonato Mineiro. Mesmo com o Tupi ficando em terceiro, penso que isso ainda me incomoda. Segundo: o César Cielo deixar as Olimpíadas de Londres com apenas uma medalha de bronze acabou com a minha autoestima olímpica. Isso precisar ser colocado para fora. Terceiro: o Tatu mascote da Copa de 2014 ser batizado de Fuleco foi uma ofensa à criatividade brasileira. Aliás, isso deveria estar no topo desta lista.
Quarto: o futebol feio que levou o Corinthians a ser campeão mundial faz mal só de lembrar. Vale o grito. Quinto: o Ronaldinho Gaúcho vir para o Atlético e voltar a jogar futebol. Além de improvável, isso fez do Alexandre Kalil um gênio do futebol. É muito difícil ter que terminar o ano com um incômodo dessa magnitude. Sexto: o roubo de R$ 70 mil da sede do Tupi até hoje ainda sem explicação. Nesse caso, acho que o grito deveria ser dado antes, mas tudo bem. Sétimo: o retorno do Tupi para a Quarta Divisão do futebol brasileiro. Isso vai fazer mal ainda uns bons meses, mesmo com o descarrego.
A lista, segundo a minha tia, não tem limite, mas a paciência do leitor tem. No mais, imaginem a cara das pessoas que vão ao Morro do Imperador em busca de fogos de artifícios ao se depararem com um doido, aos berros, falando coisas sem o menor sentido. Pelo menos, sairei de lá mais aliviado. Que venha 2013!
