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Os pés pelas mãos

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A renovação da CBF

O calendário de folhas na parede apontava 2 de julho de 2010 quando o holandês Sneijder colocou a pá de cal no reinado de Dunga à frente da Seleção. Nos meses que se seguiram, o discurso uníssono de torcedores e mídia era de que seria preciso renovar. Pensamento que não passava só pelos jogadores. Queriam sangue novo no banco. Um treinador de novas ideias. A CBF foi atrás do rabugento Muricy, que negou o convite. O rabo de foguete caiu sobre os ombros de Mano Menezes.

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O treinador assumiu com fala mansa. Norteou seu trabalho na tal renovação. Saíram de cena os medalhões. Neymar, Leandro Damião, Thiago Silva e Oscar assumiram uma responsabilidade maior que os índices de rejeição de Mano. O desempenho foi claudicante. Os resultados mais esperados não vieram. Derrotas parelhas para seleções de melhor qualidade. Vitórias maiúsculas contra times minúsculos, nos amistosos caça-níqueis que os cofres da CBF tanto amam. Apesar de tudo, Mano cumpria o recomendado e renovava mesmo com uma safra de jogadores abaixo da média.

Na segunda metade deste ano, o técnico começou a pensar em um time que pudesse ir além da renovação pela renovação. Tirou Kaká das mesmas cinzas de onde já havia resgatado Corinthians e Grêmio. O time parecia ganhar consistência. Mano vivia seu melhor momento quando lhe cortaram a cabeça. Ele podia não ser o melhor técnico do mundo, mas estava longe de ser o pior. Trabalhou com aquilo que lhe foi imposto.

Novidade demais para os velhinhos da CBF. Em um gesto político, o caudilho presidente da entidade, José Maria Marin, cortou a corda do lado mais fraco. Resolveu renovar com Felipão e Parreira. Tomara que dê certo e o título apague todos os erros de planejamento que só cabem aos dirigentes. Continuo com o mesmo pensamento de julho de 2010. É preciso renovar. Principalmente certos pensamentos reinantes, como o que rege que o treinador é sempre o culpado. Isso é valorizar demais o senhor Mano Menezes e companhia.

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