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Entre a tradição e o descaso

garotas se enfrentam na quadra do sesc

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Garotas se enfrentam na quadra do Sesc
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Garotas se enfrentam na quadra do Sesc

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A realização do Circuito Sul Mineiro de Judô, que acontece em Juiz de Fora neste fim de semana, no Sesc Campestre, fortalece na cidade a difusão de uma das modalidades olímpicas que mais medalhas já deu para o Brasil. Em um cenário de competição com outras artes marciais em destaque, como o MMA, o jiu-jítsu e o muay thai, a tradição do judô segue atraindo praticantes de todas as idades na cidade.

“O judô está em ascensão. É o único esporte que traz medalhas olímpicas constantemente”, defende Justin Vianna, que ensina as técnicas do judô em Juiz de Fora há 44 anos, na Academia Sanji. “A moda agora é o MMA, mas veja o que tem feito essa menina, Ronda (Rousey, norte-americana campeã peso galo do UFC). Ela foi campeã mundial de judô. A técnica dela é perfeita. Ela joga, imobiliza, estrangula e acabou. A experiência que tem como judoca facilita no UFC. São esportes da moda. Um ano aparecem, geram interesse e depois somem. O judô se mantém tradicional.”

Atualmente, o sensei (ou professor) orienta cerca de 120 judocas na cidade, além de outros 17 jovens carentes da cidade de Lima Duarte. E as décadas de experiência confirmam as dificuldades pelo caminho daqueles que sonham com as glórias mais elevadas do esporte. “É muito difícil levar o atleta para o alto rendimento. O judô é um esporte que, ao mesmo tempo que favorece o treinamento emocional e muscular, envolve muitas outras coisas. Dedicação total, alimentação adequada, disposição para acompanhar o esporte. Para representar o Brasil são muitos processos de seleção e pouco espaço de tempo para conquistar isso”, argumenta Vianna, que aponta o marco dos 27 anos como um momento de declínio para a maioria dos judocas de alto rendimento.

Opinião semelhante tem outro sensei da cidade. Faixa preta com 30 anos de prática, Guilherme “Maritaca” Machado orienta aproximadamente 110 judocas em Juiz de Fora. Apesar de identificar uma melhora nas condições oferecidas na cidade, o professor lamenta a falta de investimentos. “O judô é um esporte muito caro. Tenho alguns atletas muito carentes. Se um deles se classifica para um campeonato fora, tem que pagar sua própria viagem. Aqui em Juiz de Fora somos formadores. Os grandes clubes pegam os principais destaques e levam. Pagam salário, colégio, e o moleque vive pelo judô. Isso acontece por falta de incentivo, principalmente do poder público, que não ajuda com nada. Tenho muitos atletas humildes que desistem de competições por não terem como pagar. O que mais queria era ter condições de manter esses atletas em Juiz de Fora”, diz Guilherme Maritaca.

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Promessa

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Quem sabe bem a dificuldade de remar contra a maré é Richardson Baltazar. Considerado uma promessa do Judô Guilherme Maritaca, o garoto de 17 anos concilia os treinamentos com os estudos. Em meio à preparação para o Campeonato Mineiro, em Belo Horizonte, no dia 5 de setembro, o judoca se motiva com o incentivo dado pela família. “No começo eu não tinha vontade. Treinava no meu bairro, Granjas Betânia. Sempre que eu faltava, meu pai pegava no pé. Ele sempre acreditou muito em mim”, agradece Richardson. “O mais difícil é conseguir apoio para participar das competições. Para mim é muito caro. Eu perco muitos campeonatos bons, nos quais poderia me destacar”, diz Richardson, que mira o título mineiro para garantir a única vaga no Brasileiro que recebe ajuda de custo das federações.

Faltando menos de dois anos para passar da faixa marrom para a preta, o judoca sonha com um futuro dentro do esporte, apesar das dificuldades. “A gente vai treinando e acaba criando sonhos. Tenho muita vontade de disputar as maiores competições. Por isso eu treino muito. Para um dia, quem sabe, conseguir chegar lá. Mesmo que eu não consiga lutar no alto rendimento, quero dar aula, passar o que eu aprendi.”

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Senpai

Dentro do táxi desde as 5h, Leonardo Moura conta os minutos para as 17h. Quanto mais o ponteiro se aproxima do objetivo, menos falta para a hora de se dedicar ao judô, esporte que o acompanha há dez anos. “A arte marcial é uma filosofia de vida. Quando não pratiquei, foi por passar por contratempos na vida. Sou taxista. Dá para conciliar, mas é cansativo. Em períodos de competição, o treinamento é intenso. Treino todos os dias até 21h, 21h20”, diz o senpai, “braço direito” do sensei Guilherme Maritaca.

Em busca da faixa preta, que deve chegar até o próximo ano, Moura já não sonha com grandes feitos em grandes competições. A principal conquista para ele será seguir transmitindo a filosofia do judô. “Quando são mais novos, os atletas estão no gás para competir. Alguns se formam faixa-preta, mas o gosto é pela competição. Aos 41 anos, continuo competindo, mas o foco hoje é outro. Minha vontade é conseguir a faixa preta e poder passar meu ensinamento para os outros. A palavra ‘sensei’ quer dizer ‘aquele que aprendeu primeiro’, e é isso que quero, poder passar o conhecimento para o próximo.”

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