Três torcedores do Cruzeiro foram condenados pelo ataque a um ônibus do transporte coletivo que levava torcedores e integrantes de uma torcida organizada do Atlético Mineiro, em Belo Horizonte. A emboscada, ocorrida em novembro de 2021, terminou com a morte de um jovem atleticano de 20 anos.
O julgamento foi realizado nessa quarta-feira (29). Na época do crime, os réus integravam uma torcida organizada cruzeirense. As penas aplicadas foram de 48 anos e seis meses; 24 anos; e 20 anos de prisão.
Os três homens foram condenados pelo homicídio qualificado do jovem. O réu que recebeu a maior pena, atualmente com 25 anos, também foi condenado por cinco tentativas de homicídio contra passageiros do coletivo. Os outros dois condenados têm 28 e 24 anos.
Os jurados reconheceram todas as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG): motivo torpe, recurso que dificultou a defesa das vítimas, por meio de emboscada, e emprego de meio cruel. Esta última foi aplicada ao homicídio consumado e à tentativa de homicídio de um passageiro atacado com fogo.
“Trata-se de um caso bastante complexo e que envolvia a atuação de torcidas organizadas. Eles foram flagrados após esses atos agressivos contra o coletivo, atacando também pessoas comuns, só porque estavam no mesmo coletivo do que pessoas uniformizadas com camisas da torcida organizada rival, no caso do Atlético Mineiro. Eles utilizaram paus, pedras e bombas contra o coletivo”, afirmou a promotora de Justiça Janaíni Keilly Brandão.
Emboscada após partida no Mineirão
Conforme a denúncia, os réus prepararam a emboscada depois de uma partida em que o Atlético Mineiro venceu o Fluminense no Estádio Mineirão. Eles sabiam que integrantes da torcida rival retornariam para a região do Barreiro pela linha de ônibus 6350, que faz o trajeto Vilarinho-Barreiro, e convocaram outros envolvidos que não foram identificados.
Os acusados seguiram o coletivo em um veículo e o interceptaram para permitir a chegada dos demais agressores. Após a abordagem, o grupo teria gritado que os rivais morreriam e iniciado o ataque com pedras, bolas de sinuca, barras de ferro e pedaços de madeira.
Ainda segundo a denúncia, passageiros tentaram negociar a retirada de idosos, crianças e pessoas que não haviam acompanhado a partida de futebol. Os agressores, no entanto, teriam recusado a liberação e afirmado que todos morreriam. Pessoas que tentavam sair pelas janelas também eram agredidas.
O torcedor de 20 anos que morreu não estava usando camisa de clube ou de torcida organizada. Ele foi agredido no local, chegou a ser encaminhado para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.
Após o ataque, os envolvidos se dispersaram, mas os três réus foram presos pela Polícia Militar. Dentro do veículo usado para abordar o ônibus, foram encontrados três bastões de madeira, cinco artefatos explosivos de fabricação caseira, um soco-inglês e fogos de artifício.
“Nós obtivemos essa condenação, mas em respeito à vítima que morreu. Um jovem de 20 anos que foi trucidado pelo ódio de uma torcida em relação a outra. A mãe dele há muito tempo ansiava por isso”, declarou o promotor de Justiça Luciano Sotero.
Novo julgamento
Os acusados já haviam sido submetidos ao Tribunal do Júri, mas os julgamentos anteriores foram anulados após a Justiça reconhecer irregularidades processuais. Com a marcação de um novo júri, os três respondiam aos crimes em liberdade.
Um quarto acusado, que também seria julgado, teve o processo desmembrado e deverá passar pelo Tribunal do Júri posteriormente. Após a sentença desta quarta-feira, foram expedidos mandados de prisão contra os três condenados, que foram encaminhados ao sistema prisional.
Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe

