Em meio às comemorações que marcam o fim de ano, há aquele espaço destinado à folga e à quebra da rotina. Seja para recarregar as energias ou para se preparar para um novo ano que se inicia, muitas pessoas relaxam e acabam descuidando do corpo e da alimentação. Se esta preocupação paira na cabeça da maioria da população, com os atletas – tanto de esportes coletivos quanto individuais – a cobrança não é diferente. Nesta época do ano, muitos estão em férias de competições, mas procuram fazer treinos mais leves, equilibrando o cardápio. Para saber como eles resistem às tentações e ao ócio, a Tribuna ouviu atletas juiz-foranos que contaram o que costumam fazer para não perder aquilo que já conquistaram e não comprometer resultados futuros.
Vivendo em Nova York desde março deste ano, o tricampeão mundial de jiu-jítsu Bernardo Faria, de 26 anos, aproveita a pausa para frear o processo de preparação física e alimentação, já que está sem campeonatos para disputar. "Atualmente tenho priorizado a fisioterapia, pois estou com uma lesão no menisco. Em temporada de competições, procuro suplementar bastante e comer de forma mais saudável possível, com alimentos integrais para manter as energias, evitando gorduras e doces."
O segredo de Bernardo para conseguir bons resultados é o descanso. "Aliado a um treino forte, isso ajuda o atleta a render." Mesmo consciente do que pode abusar, o esportista faz um alerta: "O atleta não deve relaxar a ponto de não treinar. Não mato nenhum dia. Nos outros quesitos – alimentação e descanso – dou uma aliviada para sair daquela pressão de vida de atleta."
Com foco voltado para o Mundial de Meio Iron Man, que acontece só em setembro do ano que vem, o triatleta Marcos Hallack, 34, não descuida da rotina, que não para nem para as festas de fim de ano. Para ele, uma dieta equilibrada atrelada a exercícios regulares deixaram de ser obrigação há muito tempo. "Minha rotina consiste em um treino de três horas por dia, alternando entre ciclismo e corrida. Passo a integrar a natação a partir do dia 6 de janeiro. Há algum tempo venho praticando o que chamamos de ‘treinamento funcional’, que trabalha a performance, musculação, ioga e pilates, formando um equilíbrio. Faço isso duas vezes por semana", comenta.
Para a campeã brasileira de mountain bike cross country, Roberta Stopa, 33, os meses de dezembro e janeiro não são sinônimos de descanso. "Neste período inicio minha preparação de base, após ficar quatro semanas sem praticar exercícios na bicicleta. Aos poucos, alterno treinos entre a bicicleta e a musculação, aumentando a carga horária, de duas horas para quatro, todos os dias na semana." Roberta revela que o período de competições no ciclismo nacional começa em março, mas tem se preparado para fevereiro, quando acontece, no Chile, a Copa Internacional de Mountain Bike, que soma pontos para o ranking que classifica atletas para a Olimpíada do Rio, em 2016.
Priorizar o repouso e reduzir carga de treinos
As táticas encontradas por estes atletas para não abusar tanto na folga, na visão do auxiliar de preparação física Thiago Maroco, estão de acordo com o que é recomendado por especialistas. "O importante é não se afastar completamente das atividades físicas, para não atrapalhar o trabalho já conquistado em temporadas passadas. Isso ajuda a não comprometer seu retorno." Para Maroco, os esportistas devem priorizar o descanso no período de folga, reduzindo a carga de treinos para acumular as energias.
Em Santa Terezinha, por exemplo, os jogadores do Tupi não terão a folga da maioria das pessoas. Com pausa apenas no Natal (dias 24 e 25 de dezembro) e no Ano-Novo (dias 31 de dezembro e 1° de janeiro), a equipe comandada pelo técnico Wilson Gottardo se prepara para o Campeonato Mineiro, que tem início no dia 26 janeiro. A primeira partida é contra o América-MG, fora de casa.
"A estratégia é evitar excessos e moderar a ingestão de bebidas alcoólicas, comidas gordurosas e doces. Isso ajuda a minimizar as perdas, já que elas sempre acontecem", destaca o preparador físico do Galo Carijó, Luís Augusto Alvim. O zagueiro Fabrício Soares, 35, sabe bem como é isso. "A maioria dos atletas precisa ter a consciência de identificar estes excessos. Quando houver, procurar fazer uma corrida ou outras atividades. Mesmo que a pessoa controle a alimentação, ficar parado também ajuda a perder o que já conseguiu."
