
No último fim de semana, cinco atletas de Juiz de Fora foram medalhistas nos Campeonatos Sul-Americano e Brasileiro de Judô. Os desafios aconteceram sexta-feira (23) e sábado (24) em Mariana (MG). Pela equipe Guilherme Maritaca, o juiz-forano Gabriel Machado, 14 anos, se consagrou campeão Sul-Americano no sub-15 (até 73kg). Pela equipe Dojô Pousada Mendonça, o treinador e atleta Gileanes Rodrigues, 40, foi campeão veterano (até 73kg), enquanto Edilson da Silva, 20, conquistou o bronze no sub-21 (até 81kg), ambos no campeonato internacional. Já no Brasileiro, Thiago Zanella, 17, conquistou ouro pelo sub-21 (até 73kg) e bronze pelo sub-18 (até 73kg). Finalizando o quinteto, Iago de Oliveira Souza Silva, 13, foi campeão brasileiro sub-15 (até 36kg).
Atleta desde os três anos de idade, o judoca Gabriel Machado começou a praticar sob influência do pai e treinador Guilherme Machado, e teve sua primeira participação na competição internacional este ano. Segundo o atleta, foram três lutas contra brasileiros vencidas por ippon. Na primeira, contra Samuel Cortes, o juiz-forano venceu logo aos três segundos, enquanto a segunda, contra Willian Menezes, durou 45 segundos. E o ouro veio na disputa contra Lucas Gomes, com 1min10s de luta. “O primeiro, por ter sido três segundos, o atleta deixou o braço aberto e tive oportunidade de entrar com o golpe. A segunda, eu tive mais dificuldades, porque o atleta tinha mais experiência e já tinha lutado o Sul-Americano. A última tive mais problemas, porque o menino tinha bastante técnica e muitos anos de judô e isso influencia muito também. Ganhei as três lutas com o mesmo golpe, o Ippon Seoi Nage, um golpe de quadril”, relembra.
Gabriel comemora o título e ressalta a importância da conquista. “Foi muito bom, porque ano passado fui para o JEMG, perdi na final e dei uma desanimada do judô. Estava até desistindo, mas voltei a lutar há quatro meses, acabei ganhando o Sul-Americano e isso me incentivou. Foi uma alegria muito grande, não esperava ganhar essa medalha e lutei muito para conquistá-la”, comenta.
Judô de pai para filho
“O meu pai é meu sensei e ele acabou me colocando no judô com três anos de idade. Fui treinando e acabei me identificando”, conta Gabriel Machado. Para ele, a oportunidade de treinar ao lado do pai é uma experiência diferente. “É muito bom porque você tem mais intimidade para tirar dúvidas e perguntar como funciona, o que eu posso fazer na hora da luta. Mas para ele, eu ter ganhado o Sul-Americo é um orgulho porque ninguém imaginava que eu ia chegar onde estou agora. Ele sempre acreditou em mim, no meu potencial e fico muito feliz”, comenta.
Como técnico, Guilherme Machado, elogia o desempenho do aluno. “Gostei muito do desempenho dele, se mostrou calmo desde o começo. Por estar competindo desde pequeno, ele está bem acostumado e adaptado aos campeonatos. Ele terminou as lutas bem rápido e isso é fruto de um treinamento que vem desde os três anos, sem ajuda de instituições públicas, sempre fazendo vaquinhas”, conta. Se como treinador, Guilherme tem muito orgulho, como pai, a felicidade é enorme. “Fiquei super feliz e emocionado como pai. A emoção foi a mesma que com todos os alunos campeões, mas o prazer de ver meu filho ganhando o Sul-Americano foi maior ainda.”
Mais medalhas para JF
O treinador Gileanes Rodrigues da equipe Dojô Pousada Mendonça também comemora os títulos, seu e dos seus três alunos. “Sempre esperamos que terá algo, mas o que vier nós agradecemos, seja perdendo ou ganhando. O fato de podermos participar das competições já é uma vitória, porque geralmente são longe e com alto custo. A medalha é um trabalho dos meninos. Foi bom, até mesmo pelo que a gente proporciona: temos uma academia com poucos alunos e priorizamos mais a qualidade que a quantidade, um projeto desde 1998. A gente voltou apenas com dois meninos sem medalhas, tivemos cerca de 80% de aproveitamento”, avalia.
Para o técnico, mais importante do que medalhar é a consequência do título na motivação dos seus alunos: “Eu gosto muito de judô, mas a questão de obter um resultado lá não é o mais importante. É bom ganhar uma medalha e fazer o que se gosta, mas os meninos ficam mais motivados quando o professor participa e ganha alguma coisa, pensam que estão treinando no lugar certo e que participamos com eles.” Ano que vem a equipe pretende participar do Circuito Mineiro de Judô, alcançar novamente o Brasileiro e, quem sabe, um Pan-Americano.

