Talvez por viver contaminado pelo futebol, a prática esportiva por aqui, independentemente de modalidade, ainda está longe de ser tratada com o devido profissionalismo, como acontece em outras partes do mundo. Mesmo movimentando cifras bilionárias, arrastando multidões impensáveis no campo da política e consumindo boa parte dos espaços nas mais diferentes mídias, esporte para os brasileiros continua sendo pelada, pedalada, raquetada e, até mesmo, pancada.
Quando alguma modalidade se sobressai, caso do vôlei, é sempre mérito de alguém com perfil pouco abrasileirado, como Bernardinho. O Guga, no tênis, foi outra exceção bem-vista. No mais, a aposta é sempre na genialidade tupiniquim. Talvez por isso não seja preciso fazer quase nada. Bastam meia dúzia de coletes e duas bolas para colocar um programa governamental em prática. Até parece que os nossos atletas nascem prontos, precisando apenas de um empurrãozinho, na poeira mesmo.
Certa ocasião, em entrevista a uma revista de futebol, Zico afirmou que o grande time do Flamengo na década de 1980 fez mal ao Clube de Regatas Flamengo. Para ele, a ideia passada era de que, independentemente de planejamento, investimento e profissionalismo, o Rubro-Negro seria para sempre grande. A década seguinte mostrou que a verdade era outra. O Tupi, na atual fase, sabe melhor que ninguém como as coisas mudam com a casa em ordem.
O Tupi não deixa de ser uma boa sinalização, assim como a segunda posição do Brasil nos Jogos Pan-Americanos do México. Limitar o problema de formação de atletas aos muitos problemas do programa Segundo Tempo é minimizar e muitos os desafios do novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo. A coisa não está no primeiro ou no segundo tempo, mas em se iniciar um outro tempo.
