Todos querem que seja o Neymar do Santos. Espontâneo, criativo, jogador determinante para a Seleção. Pouco mais de quatro anos depois de preterir o ex-jogador do Santos e deixá-lo de fora da lista final que defendeu a Seleção Brasileira na Copa de 2010, o técnico Dunga deixa claro que espera contar com o atacante em seu retorno à CBF. Apesar de dizer o óbvio, o treinador reforçou o lugar-comum do momento: hoje, o Brasil é Neymar mais 10. Não há como ser diferente, já que o hiato entre o craque do Barcelona e os demais atletas ofensivos do Brasil é gigantesco.
A baixa qualidade técnica dos atacantes nacionais é tão gritante que Dunga já admite jogar sem centroavante. A maioria dos clubes joga sem uma grande referência, com atletas de mais movimentação. O casmurro capitão do tetra se mostra mais sensato que Felipão – ao menos, nesta avaliação. O ex-técnico da Seleção insistiu com Fred na última Copa e foi enterrado por alemães a sete palmos de profundidade. Apesar de não gostar muito do modus operandi de Dunga no comando de suas equipes, acredito que, diante da carência de mão de obra qualificada, abrir mão de um matador de ofício seja o caminho para se formar uma linha de frente equilibrada.
É incrível como um país onde o futebol é jogado em cada esquina não consegue formar um artilheiro de qualidade há anos. Na lista de Dunga não há nenhum centroavante de origem entre os quatro nomes chamados como opções de ataque: Ricardo Goulart, Hulk, Diego Tardelli e Neymar. Talvez, Tardelli seja o nome que mais se aproxime de um camisa 9 genuíno. Entretanto, está longe de ser um jogador de Seleção. Ao menos, à altura daqueles times que formaram o mito da amarelinha. Em outras palavra, noves fora, não temos um nove.
