Eu acho é pouco
Os poderes constituídos brasileiros estão demorando demais a colocar em prática medidas para banir criminosos dos estádios de futebol. Ontem, tivemos como alento a proibição das facções organizadas Gaviões da Fiel e Independente de entrarem em arenas do Distrito Federal durantes os próximos dois anos. A atitude partiu da Secretaria de Segurança Pública do DF. Muito bom. Está de parabéns. O problema é que raramente Corinthians e São Paulo jogarão em Brasília nos próximos dois anos. Então, eu acho é pouco.
Também ontem, a Federação Paulista de Futebol proibiu o cidadão de nome Cleuter Barreto Barros de frequentar estádios de futebol dentro do Estado de São Paulo pelos próximos 90 dias. Cleuter foi um dos 12 integrantes da Gaviões da Fiel presos na Bolívia, suspeitos de terem lançado um rojão que matou um garoto boliviano de 14 anos, na cidade de Oruro, em fevereiro, em jogo válido pela Libertadores. Noventa dias? Eu acho é pouco.
Leandro Silva de Oliveira, outro envolvido na tragédia na Bolívia, já havia sido identificado e recebera a mesma punição de Cleuter na terça-feira. E não vou nem entrar no mérito de um vereador de Francisco Morato, Raimundo César Faustino, ter sido flagrado no meio da pancadaria no Mané Garrincha também, porque desse meio aí a gente pode esperar qualquer coisa.
Mas eu ainda lembro dos caras voltando de Oruro, choramingando, gratos por poderem voltar para suas famílias e envergando uma camisa onde se lia Liberdade – 12 homens inocentes. E ali estavam, domingo, os inocentes quebrando o pau em Brasília.
Inocentes.
Pobres das palavras, que não podem se defender sozinhas.
