
Luiz Villarinho, Sergio Moraes e João Villarinho
Termina hoje, em Rio das Flores, interior do Rio de Janeiro, o período de instrução de uma turma de 99 treinadores que estão a caminho dos Estados Unidos para trabalhar com categorias de base durante o verão do Norte do planeta. Entre eles, 12 juiz-foranos embarcam, a partir da próxima terça-feira, para tentar ensinar futebol à maneira brasileira para os gringos nos chamados camps – espécie de colônia de férias.
Parte final do programa de desenvolvimento de profissionais da Tetra Brazil Soccer Academy, empresa baseada em Juiz de Fora, o trabalho com crianças norte-americanas visa ensinar futebol à maneira brasileira. Quem esteve na primeira turma que foi aos EUA em 2011 relata a diferença no interesse dos jovens estrangeiros pela metodologia de trabalho no Brasil. "É impressionante. Eles querem saber tudo, como são feitos os dribles, são aplicados nos trabalhos, querem mostrar que conseguem. O interesse pela metodologia do Brasil é enorme, pois ela é totalmente diferente da que estão acostumados em outros esportes e até mesmo da inglesa, com a qual eles têm mais contato. O intuito do programa é esse, dar a oportunidade ao jovem americano de aprender com a escola brasileira. E dá muito prazer. Enquanto aqui os alunos têm que ser cobrados para fazerem direito, pois acham que já nasceram sabendo jogar futebol, lá eles te sugam, querem tirar o máximo de conhecimento que você tem para passar. Isso acaba causando a evolução do profissional", conta Sérgio Moraes, que esteve ano passado nos EUA e retornará, além de ser um dos responsáveis pelo recrutamento de treinadores locais.
Quem vai pela primeira vez carrega uma expectativa grande tanto profissional quanto pessoal, já que, nos Estados Unidos, os treinadores brasileiros ficam alojados em casas de famílias americanas. "Apesar de já trabalhar com crianças e jovens há algum tempo, estou ansioso. Quero chegar lá e poder mostrar que nosso futebol, apesar dos últimos anos, ainda é o melhor do mundo. Nossa metodologia é baseada na técnica e dá oportunidade para todos os tipos de pessoas praticarem o esporte. Já no aspecto pessoal, espero romper o estigma de que o povo americano é fechado", diz Lucas Medeiros, auxiliar técnico do Clube Bom Pastor.
Se depender da experiência de Moraes, Medeiros não terá do que reclamar. "Além de uma experiência profissional, é uma vivência pessoal que não tem preço. Os americanos com os quais estive no ano passado foram sempre muito solícitos, nos trataram com extrema atenção e conforto. Definitivamente, não são a imagem que se faz deles por aqui", conta.
Implantada em Juiz de Fora para aproveitar a proximidade com Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, além do grande número de faculdades de educação física da região, a Tetra Brazil desenvolve pelo segundo ano o recrutamento, treinamento e seleção de técnicos para atuarem nos Estados Unidos. "É um processo que começa com o interessado fazendo um curso, voltado para estudantes e graduados em educação física, técnicos ou profissionais de áreas afins, oferecido por nós (mais informações www.tetrabrazil.com). Dele, são selecionados os treinadores que passarão pelo treinamento final. A maioria é chamada, só mesmo quem desistiu do curso ou teve um desempenho muito ruim não fará a parte preparatória para ir à America", conta o diretor de recursos humanos, João Vicente Villarinho.
Quem faz um bom trabalho, com remuneração por semana que varia de US$ 170 a US$ 300, é chamado para voltar. Mas para ir a primeira vez, profissionais e estudantes têm que estar preparados. "A intenção é que mais e mais técnicos que trabalham e foram bem em um verão conosco voltem sempre, até mesmo pois os próprios alunos lá pedem. Quem se interessar em ter essa experiência deve estar preparado, atualizado, o inglês é importante e estar com o passaporte em dia, também", aconselha o sócio diretor da empresa, Luiz Guilherme Villarinho.

