
Larissa Oliveira terá três chances de obter índiceDIVULGAÇÃO
Alexandre Ank mira os Jogos Paralímpicos do RioLEONARDO COSTA
Thiagus Petrus espera disputar seu terceiro mundial de handebolDIVULGAÇÃO
Roberta Stopa integra a seleção permanente de ciclismoLARA TOLEDO
A próxima edição dos Jogos Olímpicos será realizada apenas em 2016, no Rio de Janeiro, mas desde o momento em que a pira olímpica foi apagada em Londres, no ano de 2012, atletas do mundo inteiro iniciaram mais um ciclo de quatro anos para conquistarem a chance de participar daquele que é – para muitos – o maior evento esportivo da humanidade. Pelo menos quatro desses nomes são de Juiz de Fora: Larissa Oliveira, na natação, Alexandre Ank, no tênis de mesa, Roberta Stopa, no mountain bike, e Thiagus Petrus, no handebol. Tudo o que foi feito até agora pode ser considerado um aquecimento para 2015, quando, aí sim, muita coisa será definida. Dependendo da modalidade, será preciso alcançar índices, vitórias, eliminar adversários – ou mostrar que é o mais indicado para atuar em coletividade. A partir de 1º de janeiro, será preciso, em bom português, superar seus limites.
Braçadas para chegar ao Rio
A nadadora Larissa Oliveira obteve alguns dos melhores resultados de sua carreira no mês de dezembro. A representante do Esporte Clube Pinheiros teve desempenho destacado no Mundial de Piscina Curta em Doha, no Catar, conquistando uma medalha de ouro (revezamento 4x50m medley misto) e outra de bronze (revezamento 4x50m livre misto), além do recorde Sul-Americano nos 100m livre em piscina de 25 metros (52s75). Poucos dias depois, no Open de Natação, no Rio de Janeiro, ela venceu os 100m livre (com direito a recorde Sul-Americano) e 200m livre.
Antes do Rio de Janeiro, porém, a nadadora está de olho em quatro competições agendadas para 2015: o Troféu Maria Lenk, o Pan-Americano de Toronto (Canadá), os Jogos Mundiais Militares (ela participa do Programa de Alto Rendimento do Exército, na condição de terceiro-sargento), na Coreia do Sul, e o Mundial de Esportes Aquáticos em Kazan (Rússia). Para este último torneio, Larissa esteve perto de conseguir os índices para as modalidades que disputa, mas terá nova oportunidade em abril, no Maria Lenk. Apesar da importância de cada competição, ela não nega que o objetivo final são as Olimpíadas. “Cada competição é uma escada em direção aos Jogos Olímpicos. Costumamos dizer que a Olimpíada não é um evento em si, é uma competição de quatro anos. Para 2016 você já precisa ter começado a trabalhar em 2012”, destaca.
De JF ao Rio – com escala na Europa
“2015 é o ano-chave para conseguir a vaga para as Paralimpíadas do Rio.” Com esta frase, o mesatenista paralímpico Alexandre Ank resume a responsabilidade que vai encarar no próximo ano. Ele, que sagrou-se vice-campeão Sul-americano em sua categoria (Classe 4) no último dia 22, na Costa Rica, terá três alternativas para disputar os Jogos do Rio: a primeira será conquistar a medalha de ouro no Parapan-Americano de Toronto, que qualifica automaticamente o campeão para o Rio; a segunda será pelo ranqueamento da Federação Internacional de Tênis de Mesa (IPTTC); e a terceira por meio de convite, mas neste caso será preciso saber quantas vagas o Brasil terá para a disputa olímpica, e para quais categorias.
No caso do ranking, o mesatenista da AABB de Juiz de Fora precisa disputar, pelo menos, seis competições internacionais. Ele já tem três torneios agendados: além do Parapan, ele vai até a Eslovênia em março e à Eslováquia em abril. Quanto ao evento em Toronto, a medalha de ouro o qualifica para o Rio de Janeiro, mas a participação nas Paralimpíadas só será confirmada se ele disputar mais cinco torneios internacionais em 2015. E é aí que entra outro adversário dificílimo para Alexandre, que é a questão do patrocínio para as viagens. A falta de apoio, inclusive, foi o principal motivo para ter ficado de fora do Parapan de Guadalajara (2011) e das Olimpíadas de Londres (2012) após ter conquistado o ouro no Parapan do Rio, em 2007, e ido aos Jogos de Pequim (2008).
“Conversei com duas empresas para as viagens do próximo ano, mas ainda não obtive resposta positiva. Hoje eu treino na AABB de Juiz de Fora, que tem me dado apoio ao lado da Federação Nacional das AABBs. Também tenho o apoio da Hiperroll Embalagens. A Camilo dos Santos me auxiliou na viagem à Costa Rica”, disse Alexandre.
Sem descanso
O armador Thiagus Petrus, do Naturhouse La Rioja (Espanha), mal pôde comemorar o Natal. Ele voltou a se reunir com os colegas da Seleção Brasileira de Handebol em Santo André (SP), na última sexta-feira, para mais uma rodada de treinamentos visando ao Mundial da modalidade, que será disputado em janeiro, no Qatar. Os jogadores que atuam no Brasil estiveram reunidos até o último dia 21 em Blumenau (SC), foram liberados para o Natal e continuarão treinando até terça-feira com o acréscimo de Thiagus e outros atletas que atuam no exterior. Haverá nova pausa para o Réveillon e retorno em 4 de janeiro, para mais três dias de treinos, e então o técnico Jordi Ribera definirá os 16 que disputarão o torneio na Ásia. “Vamos acertar alguns detalhes e também ter um pouco de descanso, pois na Europa estamos no meio da temporada, enquanto aqui no Brasil está no final. É preciso deixar todos no mesmo ritmo”, diz o armador, que disputará seu terceiro Mundial, caso não seja cortado.
Participar do torneio pode ser mais um passo para Thiagus, de 25 anos, garantir vaga no grupo que vai ao Rio de Janeiro, principalmente se a Seleção superar a 13ª colocação do Campeonato Mundial disputado na Espanha – melhor resultado na história. “O objetivo é melhorar a classificação obtida no último Mundial, mas antes teremos que passar por um grupo bastante forte. Vamos enfrentar a Espanha, atual campeã, o Qatar, que naturalizou jogadores de primeiro nível, a Eslovênia e Bielorrússia, seleções de potencial físico e que jogam muito bem, e o Chile, que teoricamente é a seleção com menos história. Mas estamos apresentando evolução nos últimos anos, ainda mais com a ida de jogadores para o exterior”, diz Thiagus, o atleta do atual grupo que está há mais tempo no exterior (três anos). “A experiência dos Mundiais e de disputar ca=mpeonatos mais fortes no exterior podem ajudar a melhorar o nível de nosso desempenho.”
Ele ressalta, porém, que é preciso pensar um dia de cada vez. “Acho que 2016 está perto e longe ao mesmo tempo, primeiro é preciso pensar no Mundial. Como temos muitos jogadores sempre há uma rotatividade, se não estiver no melhor nível o técnico vai optar por outros jogadores, é preciso mostrar o seu melhor todo dia.” A experiência em quadras espanholas, entretanto, o deixa confiante. “O que mais me ajuda no exterior é o equilíbrio das competições, este ano estou disputando o Espanhol e a Champions, são dois jogos por semana, em um nível mais elevado. Isso me ajudou desde que cheguei lá, ainda mais com bons jogadores. Você vai se dedicando, evoluindo, vejo um salto muito grande (no meu jogo). Eu me sinto bem à vontade no meu time, já sei como as coisas funcionam e o que precisa ser feito. Jogo muitos minutos, tenho a confiança do treinador e nos momentos mais importantes estou sempre em quadra jogando. E estar num clube como o Naturhouse La Rioja mostra que o handebol brasileiro tem jogadores de bom nível”, encerra o armador, que marcou 34 gols em 12 partidas na Liga Asobal 2014/2015, em que sua equipe ocupa a vice-liderança.
Pedalando por pontos no ranking
Aos 34 anos, Roberta Stopa mantém vivo o sonho de disputar uma Olimpíada. Integrante da seleção permanente da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), ela tem até maio de 2016 para conseguir uma vaga para o Rio de Janeiro. A Federação Internacional de Ciclismo (UCI) iniciou este ano a contagem de pontos parta o ranking de mountain bike a fim de definir os competidores da próxima edição dos Jogos, sendo que os países que ocuparem as primeiras oito colocações terão direito a levar dois ciclistas às Olimpíadas. O Brasil ocupa atualmente a 15ª colocação, com 1.769 pontos, e Roberta é a quarta melhor brasileira ranqueada (287 pontos, 84ª no individual). Ela precisa fazer muitos pontos nas competições internacionais (as que oferecem maior pontuação) para ajudar o país a obter mais uma vaga e, dependendo do seu desempenho, passar a ser uma das duas atletas que poderão representar o ciclismo nacional na competição olímpica. Isabella Moreira Lacerda, segunda colocada do ranking nacional (e 44ª individual mundial), tem 524 pontos.
Mesmo com a diferença considerável de pontos, a ciclista de Juiz de Fora conquistou resultados importantes este ano. Ela foi vice-campeã da Copa Chile de XCO, medalha de bronze no Pan-Americano Team Relay e campeã do Circuito X-Terra, dos 70km de Ceilândia e do Marathon Cup, entre outros torneios.

