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Na orelha da bola – Divino e o cachorro-quente

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Em julho de 2009, na companhia de um primo palmeirense, tive o prazer de conhecer as antigas dependências do Palestra Itália, que dali a um ano seria fechado e depois demolido para que se erguesse o Allianz Parque, cuja inauguração deve ocorrer em breve. Prazer menor, mas ainda um prazer, naquela ocasião vi o Verdão vencer o Fluminense por 1 a 0, com um gol de Diego Souza. Mas prazer mesmo experimentei no vislumbre de uma divindade. Ali, a poucos metros de mim, na fila do cachorro-quente da área vip, estava Ademir da Guia. O Divino, em atitude incrivelmente terrena, esperando sua vez para abocanhar um pão com salsicha e molho de tomate.

Não pediu passagem, não deu carteirada com aquele zoião azul que nem o mais turrão dos palmeirenses se atreve a chamar de verde, apenas se colocou entre os humanos normais. E atendeu pacientemente a todos os que se dirigiram a ele para um autógrafo, um aperto de mão, um abraço, uma foto. As pessoas iam passando rumo ao cachorro-quente, Ademir dava a vez e dava autógrafo, apertava a mão, abraçava, tirava foto. Eu não fui ao cachorro-quente. Tampouco fui a Ademir. Mineiro, bicho do mato, repórter sem pauta, só acompanhei o movimento. Então voltei para minha cadeira numerada, entre corneteiros, pavões e o Flávio Saretta, e antes que o juiz apitasse o início do segundo tempo, vi Ademir sentar-se um pouco mais à frente. Claro, sem cachorro quente.

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Parabéns, Palmeiras. Feliz é o clube que tem como maior ídolo de uma história centenária um atleta tão divinamente humano.

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