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Salto de qualidade e quantidade

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Começa amanhã a fase final de disputa dos Jogos Escolares de Minas Gerais (Jemg), cuja abertura oficial está marcada para as 20h no Parque de Exposições Adolpho Coelho Lemos, em Passos, no Sul do estado. Mas Juiz de Fora já tem motivos para comemorar. Na etapa única do atletismo, realizada entre os dias 15 e 19 deste mês, a delegação local conquistou 17 medalhas (seis de ouro, sete de prata e quatro de bronze), além de outras cinco (quatro ouros e uma prata) nas modalidades para pessoas com deficiência (PCD) da competição para nascidos entre 1999 e 2001 (módulo I) e entre 1996 e 1998 (módulo II). Em 2012, apenas uma medalha (um ouro) foi obtida pelos juiz-foranos. Uma evolução contundente.

A sintonia do Projeto Minas Olímpica, uma parceira entre a UFJF e o Governo estadual, com a Secretaria de Esporte e Lazer (SEL) e as escolas do município foi a mola propulsora desse salto no quadro de medalhas do atletismo. Foram duas evoluções, segundo o coordenador da iniciativa, Jorge Perrout. "Primeiro, os meninos melhoraram bastante. Para alguns esse já foi o segundo ano treinando, então tem uma evolução natural da técnica e dos resultados. Outra foi que nos organizamos melhor com a SEL para a disputa dos Jogos Intercolegiais e com as escolas, pois no Jemg a inscrição é feita por cada instituição de ensino. Fizemos uma parceria e isso favoreceu a participação", considera.

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Quem participou do Jemg em 2012 e este ano voltou atesta sua própria evolução, mesmo no caso da única medalhista local no ano passado, Ingrid Euclides, 13 anos, da Escola Municipal Tancredo Neves, atleta do lançamento de dardo, que mudou a cor da medalha. "Em 2012 fui ouro com uma marca de cerca de 23m. Esse ano, fiz mais de 24m e fiquei com o bronze. Mas o que importa mesmo é que melhorei", diz.

Com a evolução no treinamento, houve até mesmo quem mudasse de modalidade, como Carlos Eduardo Ferreira, 13, da Tancredo Neves, que trocou o lançamento de dardo e o salto em altura pelo hexatlo (80m com barreiras, salto em altura, arremesso do peso, salto em distância, lançamento do dardo e 800m rasos). "Como passei a praticar outras modalidades no Minas Olímpica, os técnicos identificaram em mim potencial para ser equilibrado em várias", esclarece.

Perrout atesta a evolução de seus pupilos. "A postura das crianças melhorou. Antes, treinavam conosco mas nunca tinham competido. Com a participação em disputas como o Campeonato Mineiro de Atletismo e o Jemg, hoje têm atitudes de atletas. A continuidade do projeto vai trazer mais resultados. Mesmo que não vá chegar a ser um adulto campeão, enquanto estão jovens, participam com entusiasmo", pondera o técnico.

 

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Quem já chegou ao topo do estado quer mais, caso de Mariana Rodrigues, 13, da Escola Estadual Fernando Lobo, ouro no lançamento de disco e no arremesso de peso e, por isso, classificada para a disputa dos Jogos Estudantis da Juventude, cuja etapa do módulo I será realizada em setembro, em Natal, no Rio Grande do Norte. "Vou dar meu melhor nos treinos aqui para chegar lá e conseguir um bom resultado. Pelas minhas marcas, ficaria em oitavo atualmente, mas vou tentar melhorar para conquistar também o ouro", deseja.

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E o futuro, o que reserva?

Com três medalhas de ouro no pescoço, a paratleta da categoria T46 – para esportistas com amputação ou má formação nos membros superiores – Alice Silva, 16, da Escola Estadual Clorindo Burnier, vive um dilema natural da idade. "Sempre gostei de praticar esportes, mas não tenho muito tempo, pois faço colégio de manhã e um curso técnico de informática à tarde. Não encontro tempo e não há como treinar perto da minha casa", conta a moradora do Nova Era. "No ano que vem vou ter que parar de competir, porque vou estourar a idade e não tem mais jeito", completa.

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De acordo com Perrout, a intenção é fazer com que atletas como Alice, que hoje têm dificuldades para usar a estrutura da UFJF, possam ficar mais próximos do projeto, viabilizando sua chegada a eles ou levando-os até a Federal. "O sonho – e estamos caminhando para realizá-lo através de parcerias com o município – é ampliar essa nossa atuação nas escolas. Estamos um pouco limitados aos colégios no entorno da Universidade. Não temos condição de transporte, como vale-transporte. Por exemplo, se motivamos uma criança lá da Zona Norte a treinar, ela não tem como vir. Então, estamos trabalhando nesse segundo semestre para expandir, fazer outros núcleos do projeto, com outras escolas, em outras regiões, para descobrir talentos que certamente existem e direcioná-los para cá", deseja.

Segundo o secretário de Esporte e Lazer, Francisco Canalli, a evolução mostrada este ano vai ser importante também nesse sentido. "É um resultado histórico, para se comemorar, e também mostra que, com afinamento entre o município e as iniciativas como o Minas Olímpica, podemos muito mais. Vamos agora elaborar uma estratégia para ampliar essa atuação, seja espalhando novos núcleos do programa ou até mesmo conseguindo o transporte para que os atletas treinem na UFJF. Acredito que, nesse sentido, uma nova abordagem tem que ser proposta, e o envolvimento de parceiros da iniciativa privada seja primordial", projeta.

 

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Esta semana

Na fase estadual do Jemg que começa hoje, Juiz de Fora estará representada nas modalidades coletivas de basquete masculino (Colégio Apogeu) e handebol feminino (Escola Estadual Nyrce Villa Verde Coelho Magalhães). Além disso, 18 atletas locais de natação, xadrez, judô e tênis de mesa, que têm integrantes das escolas Municipal União da Betânia, Machado Sobrinho, João XXIII e Colégio Militar, também estarão em ação de terça a sábado.

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