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Na luta pela Paz

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Muita gente ainda associa o jiu-jítsu à imagem de jovens brigões de orelhas esfaceladas. Mas uma dupla de atletas juiz-foranos, Thiago Dias Daibert e Fernando Halfeld, quer tirar essa visão deturpada do esporte e mostrar que a arte marcial disseminada no Brasil pela família Gracie, ao contrário do que muitos pensam, não é uma prática violenta e, mais que isso, pode ser instrumento de inclusão social. "O esporte aliado à religião é uma poderosa ferramenta para a socialização e o resgate de jovens da criminalidade. Disciplina, respeito e hierarquia são aprendizados que são utilizados em qualquer aspecto da vida", destaca Daibert.

O projeto "Leões de Judá – Jiu-jítsu solidário" atende a 30 pessoas entre 12 e 35 anos. O grupo treina três vezes por semana – às terças, quintas e aos sábados – na Igreja Batista Resplandecente Estrela da Manhã (Ibrem), no Bairro Santa Terezinha, Zona Nordeste de Juiz de Fora. "Temos uma limitação física e financeira, já que contamos apenas com o apoio da Budô Brasil (fabricante de quimono) e da igreja, que nos oferece o espaço. Infelizmente, temos uma fila de espera longa para participar do projeto. Acredito que poderíamos atender até 200 pessoas", afirma Daibert, um dos fundadores e professor do Leões de Judá, além de membro da Brazilian Top Team e faixa-preta de jiu-jítsu.

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Segundo o também integrante da Brazilian Top Team Fernando Halfeld, o projeto surgiu em 2008, após a disputa do Mundial de Jiu-Jítsu nos EUA. "Já havia um convite do pastor, e eu sabia que a igreja tinha uma pequena estrutura. Vi algumas crianças correndo na rua e as chamei para treinar. Depois disso, nunca mais paramos", relembra Halfeld. Outro fator que ajudou na escolha foi o fato de a igreja ficar próxima a uma área carente, conhecida como Favela do Rato, o que justificaria o desenvolvimento de um trabalho social, já que é uma região com alto índice de criminalidade. "Para cada um dos meninos que nos procuram aqui, nós fazemos um levantamento socioeconômico. Tentamos ajudar aqueles que mais precisam", destaca Daibert.

Segundo Halfeld, as aulas transformam a vida dos participantes, ultrapassando os limites do esporte. A troca de experiências, orientações, conversas e conselhos criou um vínculo invisível entre os Leões de Judá. "Além dos encontros, nós criamos um laço de amizade. Almoçamos juntos, saímos juntos.

Viramos

uma família."

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Transformação

Yuri Arantes, 19, era morador da Favela da Rato e, em 2008, se integrou ao grupo. Porém, nos últimos dois anos, ele se afastou e começou a fazer uso de drogas e álcool. Mas, com a ajuda da "família", conseguiu vencer essa luta. "O esporte nos estimula a seguir em um caminho melhor. Melhora a qualidade das amizades. Dá apoio, esperança, abre portas. Hoje, o meu sonho é ser um lutador, mas pretendo voltar aos estudos também", planeja Arantes. A mãe, Carmen Leonardo, doméstica, agradece pela oportunidade. "Esse projeto foi a melhor coisa que aconteceu para o meu filho. Ele se afastou durante um período, mas agora voltou e está tudo ficando melhor."

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A assistente social Josilaine Aparecida da Silva de Paula, mãe de Luis Flávio Vital de Paula Júnior, 14, há um ano e três meses no projeto, relata que o esporte aumentou a disciplina do garoto e também o afastou de possíveis "amizades ruins". "Antes, ele brincava muito na praça (do Bairro Santa Terezinha) com alguns garotos que usam drogas. Mas, desde a entrada dele no projeto, essas pessoas se afastaram. Eu não me preocupo com nada. Ele estuda sozinho, passa de ano, ajuda em casa.

É um menino de ouro."

 

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Resultados

Apesar da socialização ser o foco do projeto, o trabalho já apresenta resultados esportivos, ou seja: medalhas no peito. Na última Copa Hélio Gracie, disputada em maio deste ano no Rio de Janeiro, foram quatro medalhas de prata e, na Copa Carlson Gracie, também realizada na Cidade Maravilhosa, os resultados foram ainda mais expressivos: uma medalha de ouro e duas de prata. Todas pela categoria infanto-juvenil. "É uma felicidade muito grande para nós. E as medalhas são fruto da nossa disciplina nos treinos", destaca o campeão na categoria pesadíssimo, João Paulo de Oliveira Rodrigues, leão de Judá há quase dois anos.

Em março de 2014, um representante do projeto irá para os Estados Unidos disputar o Pan-Americano de Jiu-Jítsu. A oportunidade foi dada pelo padrinho Caio Terra, atual campeão mundial, em sua faixa de peso, pela International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF), que doou as passagens. "Estamos escolhendo com muito critério quem irá representar o projeto. Ninguém vai viajar só para passear", garante Daibert.

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