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Com saudade dos times de coração, juiz-foranos torcem por dias melhores

Tribuna conversa com torcedores da cidade que contam suas histórias e a falta dos jogos nos estádios e ginásios

Por Iuri Fontana, estagiário sob a supervisão de Bruno Kaehler

28/06/2020 às 07h00

Se você é daqueles que torce ou acompanha algum esporte, certamente já está se roendo de ansiedade pela volta das competições. Enquanto a pandemia ainda avança a passos largos pelo Brasil, causando, em média, mil mortes por dia, a retomada das atividades esportivas de forma completa ainda é um sonho distante. A volta dos campeonatos de forma televisionada surge como uma medida paliativa para os amantes do desporto. Entretanto, aos corações mais apaixonados, nada se iguala a ver o seu time jogar in loco. A Tribuna convidou alguns torcedores juiz-foranos de arquibancada para descrever um pouco desse sentimento e relatar a falta sentida pela ausência dos jogos.

Rita se acostumou a reunir família e Tupi, duas paixões, no Estádio Municipal (Foto: Arquivo pessoal)

Rita de Cássia tem como paixão ver o Tupi jogar. Filha de Helinho, funcionário há 25 anos na sede social carijó, a torcedora conta que suas primeiras recordações em um estádio de futebol foram juntas do pai. “Assim que ele passou a trabalhar lá, eu era bem pequena e ele começou a levar eu e os meus irmãos no estádio. A paixão dele pelo Tupi foi surgindo e passando pra mim. Aqui em casa, todo mundo tem como primeiro time o Tupi. A gente não consegue ter aquela paixão por outro clube”, conta a alvinegra.

Além da relação familiar que o Carijó fortalece, Rita relata que o time também cria oportunidades de encontros com amigos, que só são possíveis dentro do estádio. “Lá é onde colocamos a conversa em dia, torcemos e sofremos juntos. Têm amigos que eu conquistei no estádio e que eu vou levar para a minha vida toda, é um lugar bem especial.”

Em 2019, o Alvinegro de Santa Terezinha amargou um rebaixamento para o Módulo II do Campeonato Mineiro e neste ano não disputa nenhuma competição de nível nacional. Contudo, segundo a torcedora, as decaídas do Carijó nunca abalaram o seu sentimento pelo clube. “Nunca deixei de ir ao estádio, nem meu pai. Estávamos lá até quando o Tupi levava cem pagantes, sofrendo juntos. Vou apoiar sempre, independente da divisão. Será uma alegria muito grande voltar a ver o time da gente jogar. Para mim, a volta ideal seria quando não tivéssemos nenhum risco, quando descobrirem uma vacina e estivermos imunizados. Enquanto isso a gente vai torcendo para que isso aconteça o mais rápido possível”, opina Rita.

Paixão em 40 m²

Felipe (centro) acompanha e busca fortalecer, com amigos, a torcida do Tupynambás (Foto: Arquivo pessoal)

Quem também iniciou sua paixão por futebol pelos laços familiares é Felipe Castilho. Apaixonado pelo Tupynambás, ele considera o amor pelo clube um sentimento de “nascença”, já que a avó e o tio foram conselheira e vice-presidente da instituição, respectivamente. A conexão com o Baeta veio antes mesmo da retomada do futebol profissional em 2007, após 24 anos sem figurar em competições importantes. “Sempre tive esse laço com o clube antes mesmo de ter o futebol profissional. Eu acompanhava o futebol de salão e fabricava bandeiras dentro da minha casa. Nisso veio o futebol profissional em 2007 e, conversando com meu primo Carlos, surgiu a ideia de criar uma torcida para acompanhar o Baeta”, recorda.

A iniciativa ganhou apoio e a prática pessoal de confecção de bandeiras reforçou a arquibancada não apenas visualmente, mas também em números. “Conseguimos um patrocínio na época para fazer uma bandeira e ganhamos uma de 40 m². Ela era tão grande que a gente precisava de um ônibus para transportá-la e na época a gente recebeu da Prefeitura uma ajuda para irmos a todos os jogos de ônibus. A gente se sentia na obrigação de encher o ônibus que levávamos a bandeira. Era muito tempo sem futebol e o pessoal ainda estava descrente. Então fazíamos ações como a de ‘pague R$ 1’ para fazer uma rifa a ser sorteada dentro do ônibus, coisas pequenas. Conseguimos no primeiro jogo daquele ano, aqui no estádio, colocar 4 mil pessoas. Lógico que não foi só a gente, mas o nosso ônibus se transformou em três”, se orgulha Felipe.

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Segundo o torcedor do Baeta, a falta que faz ver o Leão do Poço Rico jogar vem acompanhada da saudade dos amigos. “Estar no estádio é um momento nosso, com aquela mesma turma. A gente ri, brinca, conta história, coisas que nós só conseguimos pelo futebol. E isso faz falta, porque a gente não tem mais esse encontro. É engraçado, porque contamos os dias para passar raiva com o Baeta no estádio e a pandemia conseguiu cortar até isso da gente”, lamenta.

Transportando emoções de três cores

Alex (segundo da esquerda para a direita) entre companheiros de caravana no entorno do Maracanã (Foto: Arquivo pessoal)

Nem só de amores locais vive o torcedor juiz-forano. Alexander de Faria, o Alex, é torcedor do Fluminense. Ainda garoto já frequentava o estádio sob cuidados do padrinho, que o fez “ser tricolor e amar o futebol”. Em 2002, ano do centenário do clube, dentro de uma van que levava torcedores de JF para o jogo comemorativo de aniversário, idealizou a Flumineiros, torcida organizada do Tricolor das Laranjeiras em terras juiz-foranas.

Desde então, Alex organiza com frequência caravanas que transportam sentimentos por quase 190 quilômetros até o Maracanã ou onde o Flu jogar. “A sensação de estar nos estádios é indescritível, algo que foge de ser explicado, mas ficar na arquibancada sul do Maracanã ou como visitante, me dá a sensação de estar junto com o time, de poder ajudar em cânticos de apoio para sairmos vitoriosos”, expressa.

Alex não sai de Juiz de Fora para assistir o Fluminense sem ter no mínimo outros 20 companheiros ao seu lado – ou até mesmo 150, o que gera, segundo ele, grande satisfação por poder aproximar cada vez mais pessoas de paixão em comum. “Desde o momento em que organizo a viagem, minha preocupação é ir e voltar bem. Cada caravana ou evento, prezo por fazer o melhor e faço o que está ao meu alcance pra ter todos comigo. Levar torcedor apaixonado ao estádio é gratificante, sempre escuto agradecimento por estar levando alguém pela primeira vez”, conta.

Questionado sobre a expectativa da volta aos estádios, Alex imagina que será necessário tempo para os torcedores se acostumarem pela situação pós-pandemia. “Penso que muitas coisas irão mudar pela prevenção por um certo tempo. Onde em um jogo abraçamos a pessoa ao lado, apertamos as mãos, respiramos o mesmo ar, acho difícil em menos de dois anos todos nós fazermos isso de novo sem receio.”

“300% JF Vôlei”

Paulo Lucas (esquerda) ao lado do central Jardel, um dos amigos que o então UFJF Vôlei trouxe (Foto: Arquivo pessoal)

Outro dependente da emoção dos jogos é Paulo Lucas da Silva. Sua paixão pelas quadras só não é maior do que o amor que sente pelo JF Vôlei. “Eu comecei a torcer pelo JF Vôlei logo na primeira temporada que o time participou da liga A, a 2011/12. Eu tenho uma relação de amor mesmo com o time, costumo ir não apenas nos jogos, mas nas sessões de treino também. A rotina do JF Vôlei faz parte da minha desde então”, destaca Paulo Lucas.

A ausência dos jogos, só fez aumentar o sentimento do torcedor, que pretende ficar “desidratado” quando as competições retornarem. “Faz muita falta, tiraram um pedaço de mim. Se antes eu era 100%, agora estou 30% e quando voltar vou ser 300%. Acredito que o retorno da torcida vai ser de forma bem gradual, e com certeza no meu primeiro jogo após a pandemia eu vou perder a voz e ficar ‘desidratado’, porque com certeza vai ser como a emoção do meu primeiro jogo lá no ginásio da UFJF.”



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