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Na orelha da bola

Ah, se o capitão também tivesse súmula…

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"Aos 16 minutos do primeiro tempo, fui abalroado por trás pelo colega Udialen Santana, vulgo Santanão, camisa número 3 da equipe adversária, e levado ao chão contra minha vontade. Enquanto me livrava da grama em minha boca, surpreendi-me ao ver que o árbitro da partida, senhor Atahualpa Mendes Fusaro Gonzales Filho, ignorou o lance, ordenando o prosseguimento normal da partida. Ergui-me da colisão e me dirigi ao senhor Atahualpa, dizendo: ‘Professor, o senhor não acha que foi falta?’. Ele então me respondeu: ‘Joga tua bola, joga tua bola!’. E me puniu com um cartão amarelo.

Aos 35 minutos da etapa inicial, o companheiro de equipe Nastaço Aroeira, camisa número 5 da minha agremiação, também foi advertido com o cartão amarelo após um lance com o adversário de camisa número 11, Thiago Braga, vulgo Thiaguinho Raio Laser. Percebendo que o jogador da equipe rival claramente se jogou no lance, me dirigi ao senhor Atahualpa novamente, como capitão da equipe que sou, e o interpelei, dizendo: ‘Professor, o colega se atirou. Talvez fosse melhor dar o cartão amarelo para ele’, no que fui rispidamente repreendido com os dizeres ‘Joga tua bola, joga tua bola!’.

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Aos 47 minutos da etapa complementar, após executar um lance de rara beleza sobre o adversário Santanão, acima numerado, senti o ar me faltar de modo súbito, sensação seguida por uma dor aguda na traqueia. Uma gravata de Santanão novamente me levou ao solo. Com a visão enegrecida, com dificuldades para falar e ainda no chão, tentei me reportar novamente ao senhor Atahualpa, mas qual minha surpresa quando o vi correndo em direção ao meu campo de defesa, acompanhando um contra-ataque do time adversário que resultou no primeiro e único gol da partida.

Atônito com erro de proporção tão colossal, ainda trôpego pela agressão sofrida, me dirigi novamente ao senhor Atahualpa: ‘Professor, o senhor cometeu um equívoco. Sofri falta no lance anterior.’ Ele lançou mão do mesmo expediente e, alterado, esbravejou: ‘Joga tua bola, joga tua bola!’. Então, me senti na obrigação de questioná-lo: ‘Mas o senhor sabe apenas estas três palavras?’, ao que ele respondeu de forma pouco educada: ‘Ora, seu perna de pau, seu t…, seu q…, seu s…, sem-vergonha!’ Em seguida, ergueu novo cartão amarelo e, consequentemente, o vermelho, me excluindo da partida."

Bruçuilis Macário, 1/04/2014

 

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