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Técnico juiz-forano comemora campanha histórica com o Betim e fala em “comandar grande equipe”

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Em sua primeira participação no Módulo I do Campeonato Mineiro, o Betim conseguiu uma campanha histórica: foi o terceiro melhor time do campeonato na primeira fase – superando o Cruzeiro e o América-MG, por exemplo. Foram 15 pontos conquistados, com quatro vitórias, três empates e apenas uma derrota nos oito jogos disputados e o segundo melhor ataque do estadual. Além disso, foi às semis do Troféu Inconfidência e conseguiu vaga na Série D do Campeonato Brasileiro do ano que vem.

Quem esteve à frente do Betim nessa temporada foi o juiz-forano Alex Nascif, ex-comandante do Tupi e do projeto de base da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A Tribuna entrevistou nesta quinta-feira (27) o técnico, que vibrou com o desempenho da equipe e disse aguardar propostas. Além dele, fez parte da comissão técnica do clube três juiz-foranos: o auxiliar Wanderley Tavares, ex-treinador do Tupynambás, o analista de desempenho Lucas Andrade e o treinador de goleiros João Gabriel Gerheim. Confira a entrevista com Nascif na íntegra.

Alex Nascif foi campeão do Módulo II com o Betim e 2024 e comandou bela campanha na elite neste ano (Foto: Divulgação)

Tribuna de Minas: Como você avalia a campanha do Betim neste ano? Foi uma surpresa ter conseguido a terceira melhor campanha?

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Alex Nascif: Quando iniciamos o planejamento de 2025, apresentei o projeto para diretoria e jogadores. Nas últimas dez edições do Módulo I do Mineiro, todo clube que era campeão ou vice no Módulo II anterior tinha muita dificuldade na estreia na elite. É muito complexo e difícil, tanto que sempre várias equipes são rebaixadas. O planejamento primeiro era não ter risco de rebaixamento, colocamos como meta 12 pontos, para depois sonhar com a competição nacional. A partir do momento que começamos muito bem, nos possibilitou ter voos maiores.

Na sua visão, quais são os motivos que explicam o bom desempenho do clube?

Fizemos uma pré-temporada muito boa, no Centro de Treinamento do North, que nos uniu muito. Quando fomos renovar e contratar novos jogadores, priorizamos a questão do caráter. Isso foi o que avaliamos primeiro, antes da questão tática e técnica. E vejo que esse foi o grande diferencial, com a dedicação de todos. Em muitos momentos tivemos dificuldades, mas estávamos juntos em prol do único objetivo.

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Se o Betim tivesse em qualquer outro grupo, teria classificado para as semifinais. Ficou um gosto amargo?

É uma pena, porque tivemos uma derrota apenas na competição. Foi em um jogo contra o América-MG, em que tivemos um pênalti desperdiçado ainda. Fica sim uma vontade de ter disputado uma semifinal e quem sabe uma final. É um gosto amargo, porque são coisas do regulamento. Espero que a Federação Mineira de Futebol (FMF) possa pensar em uma mudança.

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E como foi para você estar em um dos maiores campeonatos estaduais do Brasil e enfrentar grandes clubes?

Já tinha outras vivências como auxiliar com grandes equipes, mas quando você está sendo treinador é um pouco diferente. Foi muito legal enfrentar o Fernando Diniz, que foi meu colega de licença A da CBF e depois se sagrou campeão da Libertadores. Isso foi na estreia do Gabigol pelo Cruzeiro (em casa), com o Mineirão lotado. Estar nesses momentos é muito prazeroso, a gente se dedica muito para desfrutar de uma competição de alto nível.

Em alguns jogos, o Betim soube atacar, e em outros, se defender. Isso é uma característica sua? Como você se define como técnico?

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Ao ter uma equipe igual à do Pep Guardiola, com muitos anos de trabalho, é fácil implementar um modelo de jogo. Como dirigi equipes menores, minha grande questão é estar em um jogo de pergunta e resposta. Não adianta querer ficar a bola lá atrás se meu adversário está me obrigando a jogar com bola longa. Busco me adaptar às várias circunstâncias, treino minha equipe para jogar com posse ou sem, com bolas curtas ou longas.

O Betim só volta a jogar em 2026. É sua intenção continuar no clube?

Tenho contrato com o Betim até dia 11 de abril. Já tive algumas propostas durante a competição, mas por estar focado, não abri negociações. Não conversamos nada ainda para o ano que vem, é esperar o mercado e ver o que vai acontecer. Não sei se vai ser fora ou dentro do Betim, estou deixando o meu empresário cuidar disso.

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Você foi treinador do Tupi, que hoje está na Terceira Divisão estadual. Como enxerga a atual situação do clube?

Vejo que o primeiro passo para melhorar é ter gestão profissional. Não adianta ter torcedores comandando o futebol, ser alguém da arquibancada que acha que entende de futebol. Precisa de uma profissionalização para comandar o futebol. Nós temos bons profissionais na cidade e necessitamos de um clube-empresa, só assim para conseguir voltar a um cenário competitivo. Temos a infraestrutura de uma cidade grande e torcida apaixonada.

O que planeja para seu futuro no futebol?

Minha meta, desde quando entrei na faculdade, é estar em uma grande equipe. Já são 16 anos que estou formado e o sonho continua o mesmo, comandar um time de Série A do Campeonato Brasileiro. Sei que não é fácil o trajeto, tem que subir terrenos longos, mas o caminho é esse, devagarinho. Assim como o Léo Condé, fui estagiário dele. Peguei um pouco de cada treinador, como o Ricardo Drubscky. Minhas inspirações são as pessoas que aprendi no dia a dia.

*Sob supervisão do editor Gabriel Silva

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