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Nada no Balaio Apelido

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Meu filho, então com seus cinco anos, certa vez, ao chegar a Rio Espera, fez uma constatação bergsoniana: Chegamos em antigamente. Era mesmo. Carro de boi com roda de madeira, estrada de terra por todos os lados, cordialidade a cada encontro, horta com chuchu sobre a cerca. Almoço no fogão a lenha e jantar, no mais tardar, às 18h. Depois da Ave Maria, claro. Remédio por lá, para ser bom, deve ter nome e sobrenome. Licor de Cacau Xavier, Leite de Magnésia Phillips, Emulsão Scott. Jogador bom, só com apelido. Pelé, Tostão, Didi e Dadá.

Mas é verdade. Apelido e futebol são duas coisas ligadas ainda na maternidade. É quase impossível escalar um time, em qualquer parte do mundo, sem mencionar uma meia dúzia de nomes estranhos ou curiosos. Da mesma forma, é improvável que exista alguém que, tendo frequentado os gramados na infância, nunca tenha sido apelidado ou tenha apelidado um amigo. Em alguns casos, o apelido parece ganhar vida própria. Ti Carlin, da RFFSA e do PMDB, conta que a esposa já despachou várias pessoas que bateram em sua casa procurando um certo Luiz Carlos de Carvalho.

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Dias desses, o atacante Wallysson, do Cruzeiro, escalou seu time só com apelidos. Fábio, sabe Deus porque, é o Tetinha. Diego Renan, o Foquinha, e Everton, o Cara de Canoa. No miolo de zaga, Léo é o Homen-Tanque e Victorino é o Bob Velho, em uma alusão ao Bob Esponja. Leandro Guerreiro é Chiquinho, porque se parece com o pipoqueiro da Toca de mesmo nome. Rudnei é o Zeca Urubu. O Roger (o melhor de todos) é o Tonho da Lua. Montillo, a cara de um rato branco, e o Wellington Paulista, Boca de Velha. Zói de Pitomba, embora ninguém saiba o que venha a ser isso, é o próprio Wallysson.

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