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Na orelha da bola

Nada de especial

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Mais cinco dias (para alguns, quatro) e acaba o ano.

Para uns tantos, vai deixar saudades.

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Para outros, já vai tarde.

Nada de especial.

Tudo acaba.

Acaba o jogo, e se for para a prorrogação acaba do mesmo jeito.

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Pênaltis? Por mais chutes que haja, uma hora acaba.

E assim acaba o campeonato e também a festa dos campeões.

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E a agonia dos perdedores, naturalmente.

De tanto gritar, acaba a voz.

Até o mundo acaba. Sabe-se lá onde, se num fim de mundo; ou quando, se o sol esfriar; ou pelas mãos de quem, se apertarem um botão.

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Mas é certo que acaba.

Para o bem ou para o mal, tem hora que acaba o fôlego.

Acabam as palavras.

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Até aquele amor romântico, posto que é chama etcétera e tal… acaba.

Acaba a cerveja na geladeira, o cigarro no maço, a água da descarga.

Acaba o dinheiro do 13º, mas a prestação do carro acaba também.

Acaba a gasolina.

Qualquer dor acaba, seja pelo analgésico ou pelo grande sono imperturbável.

Acaba a música.

Chorare acabou.

Senna acabou.

Garrincha acabou.

Maradona acabou.

Até Pelé, mesmo sendo eterno, há de acabar. E ninguém vai morrer por isso (exceto ele).

Isso daqui também acaba. Última do ano.

Para alguns, poderia ter mais algumas linhas.

Para alguns, já vai tarde.

Nada de especial.

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