Juiz de Fora é a mais "carioca" das cidades mineiras. Apesar de não ser fronteiriça com o estado fluminense – são 48 km de distância até a divisa – , a influência do Rio de Janeiro é imensa na Princesa de Minas – desde a escolha do time de coração até as práticas esportivas. Prova disso é o crescimento do futevôlei, modalidade típica de cidades do litoral, no município. Tanto que dois atletas locais foram convocados para a Seleção Mineira que disputa, neste final de semana, o Campeonato Brasileiro de Futevôlei 4 x 4. Mas a competição terminou na noite de ontem para os locais com a derrota de Minas Gerais para o time Rio de Janeiro 2, por 25 a 16.
A dupla Aurélio Rezende Campos e Maurício Carvalho (Vitasport) está no Rio de Janeiro representando o Estado de Minas Gerais na disputa. Diferentemente do usual, a competição reúne quatro atletas em cada lado da rede. Além da dupla juiz-forana, completa o quarteto o niteroiense Alex Ribeiro e o ex-jogador Cláudio Adão. Maurício comemora: "Jogar com o Adão está sendo uma aula a cada minuto. Ele fala com pés. Sabe tudo. Além disso, tive a sorte de ser apadrinhado por ele. Cada fala dele ensina, motiva e acalma na competição".
Professor de educação física, Maurício formou dupla com Matheus Bittencourt na disputa do Super Praia Skol, em Florianópolis, Santa Catarina, em maio deste ano. Apesar de ambos não terem longo tempo na prática do esporte, voltaram com o título. "Em 2010, fiz uma cirurgia delicada. Durante a recuperação, queria jogar bola, mas não podia correr nem ter risco do contato físico. No início fiz fisioterapia funcional na água, batendo bola com a cabeça. Depois disso, tive medo de jogar futebol. Assim, comecei no futevôlei e me apaixonei."
O estudante universitário Matheus Bittencourt há pouco mais de um ano começou a praticar o futevôlei. "O esporte exige muito controle de bola e é uma boa forma de manter o condicionamento físico." Ele joga em alguns clubes da cidade, como AABB, Tupynambás e Clube do Papo, além de quadras na casa de amigos. Mesmo com pouco tempo de prática, se deu bem na disputa do Super Praia Skol.
Saudável
Plasticamente belo, com alta queima de calorias e menor risco de lesões do que no futsal ou futebol de campo, o esporte seduz a maioria dos jogadores apenas pelo lazer."Eu era goleiro, mas isso começou a me prejudicar. Sou dentista, e minhas mãos são meu instrumento de trabalho. Por isso, reuni um grupo de amigos e começamos a jogar", explica o dentista Leonardo Rezende Campos, irmão de Aurélio, que começou a colocar o pé na areia em 1997. Pelo menos duas vezes por semana, ele e seus amigos se encontram para jogar. "Conseguimos formar um grupo muito unido. Mesmo os que saíram da cidade, quando voltam para Juiz de Fora, vêm jogar conosco", destaca Leonardo.
O futevôlei é o caminho natural para muitos ex-atletas ou amadores que voltam de lesão ou possuem articulações desgastadas pelo tempo, conforme explica o ortopedista especialista em medicina esportiva Fernando Mascarenhas. Segundo ele, basicamente três fatores fazem com que as lesões no futevôlei sejam menos frequentes que no futebol e futsal. "Primeiro, não há contato físico entre os jogadores, o que diminui a incidência de contusões e fraturas. Segundo, a areia absorve impactos, o que minimiza a sobrecarga articular, promovendo maior estabilidade nas mesmas devido ao reforço da musculatura que as suporta. Além disso, diminui também a incidência de lesões musculares pelos mesmos motivos. Terceiro, o piso no futsal e nos gramados, naturais ou sintéticos, possui maior aderência do que na areia, favorecendo as lesões ligamentares, principalmente no joelho e no tornozelo", explica o especialista.
No Baeta
Nos dias 7 e 8 de dezembro, o clube Tupynambás vai receber a última etapa do Circuito Mineiro de Futevôlei. Além de distribuir prêmios, o evento vai contar com a presença de Rodrigo Café, considerado um dos melhores jogadores de futevôlei do mundo. "Esperamos mais de duas mil pessoas nos dois dias. Vamos fazer a série A e a série B, para dar a oportunidade de todos jogarem. Além disso, é uma chance de ver um craque da modalidade em ação", garantiu o organizador, Luiz Carlos Correia, o Cobra.
