
Hugo foi o autor do gol que garantiu a vitória ao Carijó
Só mesmo a sabedoria popular, que define que depois da tempestade vem a bonança, poderia explicar a confiança do torcedor do Tupi antes do duelo contra a Chapecoense, ontem, no Municipal, pela última rodada do primeiro turno da Série C do Campeonato Brasileiro. "Eu acredito!", era o grito que ecoava nas arquibancadas quando a equipe carijó entrou em campo meio desfigurada, após uma semana que começou com derrota, com o time na lanterna e cheio de desfalques. Pelo crédito, os 1.477 presentes faziam apenas um pedido: "vamos ganhar, Galo!" Se não havia como negar tal clamor, o Carijó ignorou o fato de o adversário ser o líder do grupo B e dominou o jogo do início ao fim. Coube ao meia Hugo provar o ditado e garantir a vitória juiz-forana por 1 a 0, a segunda da equipe juiz-forana na competição.
O duelo entre o até então lanterna e o líder do grupo B começou cheio de alternativas. As ações das duas equipes mostravam que o empate não interessava a ninguém. A opção de Felipe Surian por uma escalação com três volantes – George, Assis e Léo Salino – passou longe de ser uma estratégia defensiva. A tática dava mais espaço para Hugo, que fazia sua reestreia em Juiz de Fora após seu retorno ao Tupi.
O camisa 10 correu, buscou o jogo, ajudou na marcação e atacou. Logo aos três minutos, arriscou em cobrança de falta da intermediária, mas a bola se perdeu à esquerda do gol da Chapecoense. Era só um ensaio. Aos 12 minutos, Hugo apareceu de novo, recebeu a bola da entrada da área, dominou com estilo, soltou um balaço no ângulo esquerdo de Nivaldo. Indefensável. Tupi 1 a 0.
O gol deu uma tranquilidade que tem sido rara ao Tupi na competição. Contra um sistema defensivo sólido, a equipe da Chapecoense não fez valer a pecha de líder e pouco atacou o Carijó na etapa inicial. O melhor lance dos visitantes veio em jogada ensaiada, aos 27. O meia Neném foi esperto e cobrou rápido uma falta e achou Jô na cara do gol. Para a sorte juiz-forana, o atacante perdeu o tempo da bola e desperdiçou uma excelente oportunidade.
Contra-ataques
O jogo continuou franco no segundo tempo. Logo aos dois minutos, o Tupi levou perigo em uma jogada que seria recorrente na etapa final, o contra-ataque. George lançou o atacante Fabinho pela esquerda. O camisa 9 entrou na área em velocidade, mas acabou batendo fraco, facilitando o trabalho do goleiro Nivaldo. Dez minutos depois, o contragolpe foi pela outro lado. Jogando praticamente como um meia, o lateral Henrique desceu pela direita, deu uma caneta no zagueiro André Paulino e, com grandes chances de arremate, optou por um toque para o meio da área, desperdiçando uma boa oportunidade.
Essa foi a tônica da etapa final. A Chapecoense buscava o gol sem levar maiores perigos, mas sofria com a velocidade do contragolpe carijó. O Tupi esteve sempre mais perto de marcar o segundo do que sofrer o gol de empate. No único momento em que o cenário se inverteu, brilhou a estrela do goleiro Rodrigo, que salvou o Carijó em uma defesa improvável, mágica, após cabeceio do ataque adversário, aos 29.
O Tupi ainda teve mais um caminhão de chances nos contra-ataques. Velozes, o atacante Allan, o volante Léo Salino e o meia Bruninho, que havia entrado no lugar de Henrique, desperdiçaram boas oportunidades. Pouco importava, o 1 a 0 foi o suficiente para retribuir a confiança da torcida e acreditar que as nuvens negras podem ter ficado, de vez e de fato, para trás.
Se a vitória não tirou o Galo Carijó da zona de rebaixamento, pelo menos afastou a equipe da lanterna do grupo B, agora ocupada pelo Brasiliense. Com 9 pontos, o time de Juiz de Fora ocupa a 9ª colocação, há cinco pontos do Oeste, 4º colocado e última equipe na faixa de classificação para a próxima fase. O Tupi volta ao campo no próximo sábado contra o Duque de Caxias, no Estádio Romário de Souza Faria, o Marrentão, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

