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Os pés pelas mãos

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Desde sempre

Sei bem a sensação de libertação que os atleticanos estão sentindo. No ano passado, após a conquista do Corinthians, tive a oportunidade de vivenciar experiências semelhantes. Ter a oportunidade de mandar os torcedores rivais calarem a boca da forma mais política, educada e futebolisticamente correta não tem preço. No mundo do futebol, a melhor resposta vem de dentro do campo. E o Atlético é, de fato e de direito, o grande campeão das Américas. Teve tudo ao seu lado. Não faltou talento ou raça aos atletas. Nem obstinação ao amalucado e competente Cuca. Nem apoio incondicional da torcida. Nem mesmo sorte, que invariavelmente escolheu o pé esquerdo do goleiro Victor em momentos cruciais. A mesma que derrubou Ferreyra. O triunfo se concretizou no ridículo tropeço do tanque paraguaio.

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Por tudo isso, o atleticano deve mesmo extravasar. Ser campeão após tantos questionamentos é mesmo libertador. Entretanto, só quando passar toda euforia e ressaca da épica conquista é que a ficha vai cair de verdade. É quando se percebe que todas as críticas anteriores eram infundadas. Os títulos vêm e vão. Não é disso que um gigante é feito. Bom mesmo é quando se percebe que não é preciso provar nada para ninguém. Nunca foi para um clube do tamanho do Atlético, com sua história, torcida e galeria de ídolos. Entre os maiores desde sempre, os instantes de êxtase da última quarta passarão. O Galo, passarinho.

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