Feitos de barro, sujeitos a todas as contingências, a todas as seduções e a todas as fraquezas, os homens erram. E justamente porque erram, se tornam mais humanos. Também por conta da natureza humana da maioria dos mortais, quando alguns, por descuido ou desventura não pisam na bola, ganham status de divindade, como Pelé.
Mas os idealizadores e mantenedores do Museu do Futebol, em São Paulo, foram, na definição do filósofo, demasiadamente humanos. Naquela Casa, erguida com a pretensão de ser o templo maior da história do futebol do país, não há registro do Tupi Foot Ball Club. As referências, em sua maioria, são aos chamados grandes, como se paixão fosse algo mensurável.
Conversassem os paulistas do Museu do Futebol com o Geraldo Magela, não tenho dúvida, arrumariam espaço para uma foto sua, três por quatro que fosse, na galeria de treinadores. Talvez por se limitarem aos seus domínios, como fazem ainda hoje, os bandeirantes não tiveram notícia de um fantasma que rondou os times da capital mineira em meados da década de 1960.
Se os guardiões da história do futebol tupiniquim tivessem colocado menos café no leite, talvez descobrissem, na década de 1970, um jogador do quilate do Samarone. Se mesmo não considerando tanto os mineiros, mas se cuidassem do futebol de Santa Catarina, saberiam, por tabela, que o Avaí tomou uma sapecada de 8 a 1 do Tupi em 1997. Ou ainda, bem mais recente, que o carijó calou o Recife, em 2011, ao derrotar o Santa Cruz.
Não que o Tupi, ao completar hoje 100 anos, consiga com sua longevidade status de melhor time do mundo – ainda que o seja para os habitantes da minha aldeia -, mas o Museu do Futebol, ao omitir das suas galerias o centenário carijó das Minas Gerais, fica menor. Peca por não contemplar o futebol na sua completude.
