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Vencedora nas pistas e na vida

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Rotina dura não atrapalha empenho da atleta premiada
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Rotina dura não atrapalha empenho da atleta premiada

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Para a grande maioria, conciliar o domingo, dia de descanso desde as mais antigas culturas e tradições, e o Natal, data de celebração e momento de dar e receber presentes, é esquecer da vida, deixar de lado a correria do dia a dia, deitar os pés em um chinelo velho e relaxar. Para muitos, mas não para Andriléia do Carmo (Gemacon Tech/Posto Campeão/Bioforma Academia), a mais brilhante das corredoras juiz-foranas na atualidade. Multicampeã do Ranking de Corridas de Rua Prefeitura de Juiz de Fora, a corredora garantiu o primeiro lugar da edição 2011 do circuito vencendo nada menos que todas as nove provas da competição, e vai passar o dia 25 de dezembro fazendo o que mais sabe: correndo.

"Eu vou é treinar. Para o atleta é um dia como outro qualquer do ano, e tenho mais que cuidar da minha preparação. Natal é todo dia. Todo dia agradeço pelas coisas boas. Todo dia me alimento. Todo dia sorrio. E todo dia corro. Domingo (hoje), não vai ser diferente."

Tão admirável quando seu desempenho nas provas da região é a correria que Andriléia faz em seu cotidiano para aliar dois empregos, que garantem seus proventos, e a rotina de treinamentos, que alimentam sua mente e sua fome por vitórias, pódios e medalhas. "Trabalho como frentista de segunda a sábado, das 18h à 1h. Vou para casa e, às 6h, pego em outro serviço (uma conservadora) e vou até as 12h30. Aproveito o intervalo que tenho entre 9h e 10h para treinar. Corro em média até 13km por dia. À tarde, aproveito para descansar um pouco."

 

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Início tardio

Só mesmo a dedicação e o amor ao esporte podem explicar o sucesso de uma carreira de características tão inusitadas. Aos 43 anos, Andriléia poderia ser considerada uma veterana das pistas. Mas o fôlego de garota condiz mais com os 12 anos dedicados às competições. "A idade em que começou a impediu de se tornar uma profissional, mesmo tendo um grande potencial. Se ela tivesse sido apresentada às corridas ainda na adolescência, certamente ela estaria brilhando no cenário nacional", garante o professor Marcus Vinícius da Silva, coordenador do Ranking.

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Realmente, a história da atleta no esporte flerta com o improvável. Só disputou sua primeira prova aos 31 anos. O debute aconteceu no evento mais tradicional da modalidade em Juiz de Fora, a Corrida da Fogueira, em 1999. "Comecei meio que para bagunçar mesmo. Participei da prova para me divertir com os amigos. Não gostava sequer de ouvir falar em corrida. Cheguei na última colocação e, no dia seguinte, estava morta, com dores por todo o corpo. Falei que nunca mais queria saber disso", sorri.

E Andriléia seria mais uma atleta de uma prova só, com um potencial latente desconhecido, caso não fosse a insistência de uma amiga. "Tenho muito que agradecer a essa colega que me incentivou e não me deixou abandonar o esporte. Tanto que em minha terceira corrida, disputada em São João Nepomuceno, já cheguei na segunda colocação. Depois conheci o professor Henrique Viana, técnico da Equipe Pé de Vento, que fez um trabalho especial comigo, e comecei a colher bons resultados."

Resultados que fizeram da corredora um dos grandes nomes locais da modalidade. "Ela é uma unanimidade. Não temos na região nenhuma atleta que apresente um nível semelhante. É uma referência de qualidade para os demais competidores", ressalta Marcus Vinícius. Este exemplo contagia outros corredores, como a amiga Rita de Castro. "Começamos praticamente juntas, e correr parece que está no sangue dela. Por toda sua qualidade, ela nos incentiva muito e dá toques importantes para que continuemos praticando o esporte."

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Solidão de campeã

E a imagem de Andriléia sozinha no alto do pódio, sempre com um sorriso no rosto, nada mais é que uma alegoria de sua vida pessoal. "Quase em todas as provas, ela abre 4, 5 minutos de vantagem para as adversárias", conta Marcus Vinícius da Silva, coordenador do Ranking. Essa solidão vencedora é parte de seu cotidiano. Solteira, a corredora mora sozinha e divide seu tempo entre obrigações profissionais, treinamentos e descanso. "Minhas grandes companhias são meu tênis e minha mochila, que é o meu guarda-roupa."

A corredora revela que o convívio com os parentes é pequeno. "Eles sempre me incentivam, mas como a família é muito grande, acabou ficando um para cada canto." Por outro lado, os companheiros de trabalho abraçaram a corredora como amiga íntima e admirada. Taimara Macedo Salgueiro, que ensinou tudo que a frentista Andriléia sabe hoje, fala com orgulho sobre a colega. "A vontade dela é impressionante. Aprendeu muito rápido o serviço e acrescentou muito ao nosso convívio, com sua dedicação e alegria. Ela tem um pique danado, muita disposição. É realmente incrível."

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O respeito existe até mesmo por parte dos patrões. Gerente do posto onde a corredora trabalha, Juvenal Dornelas é só elogios. "É uma funcionária campeã, em todos os sentidos. Uma pessoa formidável, esforçada e trabalhadora. A mesma dedicação que ela tem com o esporte, ela tem com o trabalho, os companheiros e os clientes. Apesar da dura rotina de vida e treinamentos, não chega atrasada nunca e sempre traz um sorriso no rosto."

Proprietário do Posto Campeão, Gustavo Noel garante que é gratificante ter em sua equipe uma profissional que honra o nome do estabelecimento. "É uma vencedora na vida e nas atitudes. Uma pessoa eternamente grata por tudo que conquistou. Essa energia motiva a todos que trabalham e convivem com ela."

 

Horizonte distante

Sempre correndo, Andriléia mira um horizonte distante. Abandonar o esporte é algo que não passa por sua cabeça em nenhum momento. "Meu prazer é competir e chegar bem. Sei que vou envelhecer, mas correr me mantém viva. Não acho que estou velha com 43 anos. Ainda tenho muita estrada. O que importa é a vontade de vencer."

Além de sua participação nas provas do Ranking de Corridas de Rua da Prefeitura de Juiz de Fora, Andriléia delineou seu principal objetivo na temporada 2012 em pistas distantes. "É a Maratona de São Paulo. Já começo a me preparar a partir de janeiro. A meta é ficar entre as dez primeiras. É uma prova diferente para mim. Com 42km, é um desafio a mais, já que minha característica maior é a velocidade e não a resistência", afirma, modesta, lembrando que já obteve resultados semelhantes na capital paulista, chegando em oitavo em 2005. A atleta também não descarta participar da Corrida de Fogueira no ano que vem, prova em que sua vida esportiva começou e já se sagrou campeã em três oportunidades. "É a minha São Silvestre."

E lá vai Andriléia, vencendo a vida, dando lições de humildade e perseverança, e correndo atrás de um sonho que também é nosso. "Acho que Deus fez as coisas no tempo certo para mim. Sou feliz com minhas conquistas. Se comecei tarde e não consegui ser profissional, não tem problema. Peço uma ajuda aqui, outra ali, quando preciso competir fora da cidade. São provas com boas premiações e, se não dá para viver disso, é uma coisa que sempre ajuda a me manter e a manter minha paixão pelas corridas."

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