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Na orelha da bola

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Eles não têm a quem temer

Tinha esse cara, chamado Henry David Thoreau, um norte-americano meio maluco que, depois de se formar em Harvard, foi morar por dois anos isolado em uma cabana à beira de um lago, antes de voltar à civilização, virar professor e morrer, como muitos gênios de sua época, de tuberculose, aos 44 anos. Assim eles contam. Mas o grande lance a respeito de Thoreau foi um manifesto chamado A desobediência civil, que ele escreveu em 1848.

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A primeira frase do livrinho de 13 páginas é a seguinte: O melhor governo é o que governa menos. A ideia que Thoreau desenvolve a partir daí influenciou muitas cucas maravilhosas nos anos seguintes, notadamente um advogado carequinha de nome Mohandas Karamchand Gandhi, um indiano franzino também conhecido por Mahatma e que derrotou o Império Britânico na Índia algumas vezes, sem dar um tiro sequer.

Embora seja um cidadão patético demais para colocar em ação o princípio da desobediência civil e outros correlatos, como a resistência pacífica pregada por Gandhi, gostaria muito de vê-los sendo aplicados em favor do bem comum e contra os poderes constituídos na sociedade atual. No momento, gostaria de ver a desobediência civil sendo usada contra este nefasto Superior Tribunal de Justiça Desportiva e seus procuradores, esses sim uns fanfarrões do c@%&$@ – parafraseando o filósofo Fred.

Já passou da hora de jogadores, árbitros e dirigentes de clubes se rebelarem contra os desmandos cada vez mais estapafúrdios dessa turma de pseudotogados. Ah, deu multa porque a torcida xingou? Não paga. Ah, suspendeu o atleta porque dançou? Escala! Deu gancho no técnico que criticou o sistema? Deixa o homem no banco! Ou então para todo mundo. Não entra em campo. E é preciso apagar o Código de Justiça Desportiva Brasileiro também e escrever um novo, mais equilibrado e menos prolixo em seus quase 300 artigos. Um pouquinho de anarquia cairia bem ao futebol brasileiro.

Mas seria possível unir uma classe como a dos jogadores de futebol em torno de um objetivo comum, seja lá qual fosse? Caras que ganham 50, 100, 200, 800 mil por mês, independente de estarem em campo ou em casa cumprindo gancho por terem batido palmas para a torcida errada? São eles os principais interessados? Eles e os árbitros, que também entram em campo? Ou são os cartolas? Seríamos nós, torcedores? Nós, que temos de aturar nossos times sendo exilados de seus estádios e nossos jogadores sendo sacados de campo por esses senhores entediados brincando de manager de futebol de videogame?

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Quem vai encarar essa bronca?

No deserto de líderes em que vivemos, sinceramente não vejo ninguém liderando uma Marcha do sal esportiva.

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O STJD pode dormir tranquilo.

Não tem a quem temer.

Mas que eu bem gostaria de vê-los sendo acordados pelos passos firmes de uma multidão silenciosa no meio da noite morta… ah, isso eu gostaria.

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