Ícone do site Tribuna de Minas

Atleta juiz-forano correrá cinco maratonas em cinco semanas

PUBLICIDADE

De judoca a maratonista. Sidnei Barbosa, 48 anos, é dedicado ao esporte desde criança. Aos 11 anos passou a praticar judô, modalidade que o levou a representar o Brasil em competições internacionais, garantindo um vice-campeonato no New York Open Judo, em 2001, ele conta. Aos 35, o atleta foi forçado a deixar a faixa preta por um problema na coluna, e há cerca de cinco anos passou a se dedicar a maratona.

Sua primeira competição foi disputada na Disney, em 2013, e hoje o atleta soma 43 provas. Só este ano, Sidnei já correu 12 maratonas, são 506,34km, quase duas vezes a distância de Juiz de Fora até a capital mineira. Seu objetivo é completar um total de 50 maratonas até o final de 2018, o que equivale a 2.109,75km, mais do que a extensão do litoral dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia juntos.

PUBLICIDADE
Dedicado à maratona há cinco anos, Sidnei Barbosa faz seus treinos nas ruas de Juiz de Fora (Foto: Marcelo Ribeiro)

“Todo corredor tem o desafio de fazer uma maratona um dia. Só que eu fui fisgado por isso, a sensação é muito boa quando termina. Fui fazendo devagar, às vezes fazia quatro no ano, ou seis. Esse ano me proponho a fazer 20. Pouca gente no mundo faz”, conta o multimaratonista, que fez seu melhor tempo, 3h41min54s, na Maratona do Rio em 2014.

Neste domingo (26), Sidnei começa um novo desafio: competir cinco maratonas em cinco semanas, sendo duas no Estado de Santa Catarina, região Sul do Brasil, e três na Europa. A Maratona Internacional de Floripa, em Florianópolis (SC) (26/08); Mizuno Uphill, em Treviso (SC) (01/09); e as maratonas de Berlim (16/09), Moscou (23/09) e Varsóvia (30/09).

Desafios

Entre uma competição e outra, sua preparação é como a de qualquer maratonista: longos treinos e musculação pelo menos duas vezes por semana, mas sem exageros. A alimentação é simples, com pouca gordura, além de carboidratos, proteínas e vegetais. Ele conta que gasta entre 4.300 e 4.500 calorias por prova.

Além da preparação física e alimentação, Sidnei conta que o psicológico é um fator decisivo. “Porque muitas vezes você tem vontade de fraquejar. É muito fácil parar e não correr, pois não sou profissional, não estou sendo pago para isso. E você é submetido a condições difíceis de tempo, acorda de madrugada e corre com frio, vento ou muito sol.” Para fortalecer o lado emocional, ele conta, principalmente, com o apoio da mãe de 88 anos, para quem leva todas as medalhas e troféus que conquista.

PUBLICIDADE

Funcionário público aposentado e sem patrocínio – conta apenas com o apoio de um fisioterapeuta -, Sidnei custeia todas as despesas das maratonas que participa. É ele também quem cuida da logística de suas viagens, como reserva de hotéis, compra de passagens e procura por aeroportos próximos aos locais de competição. O atleta ainda precisa lidar com o rápido deslocamento de uma cidade à outra para as provas seguintes. Tudo isso interfere na preparação do maratonista.

“A maratona desgasta muito, então precisa treinar menos, com dois dias de descanso e depois fazer um treino leve, pois já tem outra competição dura. E nesse intervalo, tem que trocar de hotel, ir para outra cidade, voltar para casa. Não é fácil”.

Sidnei, que no último dia 17 fechou contrato com o treinador Thiago Rosa, já tem novos objetivos para 2019: correr as maratonas de Tóquio e Londres para completar as seis maiores do mundo e ganhar a medalha da Abbott World Marathon Majors como reconhecimento. Ele já passou pelas provas de Nova York, Boston, Chicago e Berlim.

PUBLICIDADE

As cinco maratonas

Atleta irá correr as maratonas de Moscou e Varsóvia pela primeira vez (Foto: Marcelo Ribeiro)

Sidnei já conhece alguns dos desafios que o aguardam nas provas das próximas cinco semanas. A maratona de Florianópolis é caracterizada por ser plana e registrar baixa temperatura. Para o dia da competição, a previsão é de 10ºC a 19ºC, segundo Climatempo.

A Mizuno Uphill é uma prova de subida, com elevação máxima de 1.419 metros, “temperatura baixa e muito vento. O ritmo é outro, bem lento, bem demorado, leva até seis horas para terminar”, avalia o atleta. Já Berlim, “uma das mais rápida do mundo, onde tem recordes todos os anos. É lá que se tenta bater duas horas de maratona. A temperatura é baixa e é totalmente plano, com asfalto bom e muita participação popular”.

É a primeira vez que o atleta irá correr as maratonas de Moscou e Varsóvia. “Pelo que eu vi, Moscou parece ser dura, mas não tem muitas subidas, passa por toda a parte histórica da cidade. A de Varsóvia para mim é uma incógnita, só ouvi falar e vi vídeos. Tem bastantes participantes.”

PUBLICIDADE

À Tribuna, o multimaratonista também contou sobre sua rotina de competições. Em geral, antes das provas, sua preocupação é com os suprimentos que precisa levar, além das condições climáticas. Mas diz que costuma estar focado e sem grande ansiedade. Durante a competição, é a prova que coordena os sentimentos. “Não tem como prever. É só a experiência e o mental forte, porque sempre vai vir algum obstáculo, você não sabe o que vai acontecer. Depois é muito bom, muito prazer. Você acaba a maratona e só quer beber água, só dá fome depois de 3 ou 4 horas.”

Para ele, se dedicar a esse tipo de esporte representa muito da personalidade da pessoa. “A pessoa que faz maratona, você sabe que é resiliente, na adversidade ela vai lutar, não desiste fácil, é disciplinada. Você vê que pode fazer tudo, com planejamento, estudo e treinamento.”

Sair da versão mobile